Mostrando postagens com marcador Reflexões. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reflexões. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Sobre palavras

Palavras me encantam, brilham meus olhos. Elas me fazem enxergar, com os olhos da alma, o que eu nunca poderia ver fisicamente. Me fazem ter sensações diversas: de amor a ódio, de nojo a deslumbramento. Em um únicipo parágrafo cabem muitas vidas, a cada palavra a ser escrita uma infinidade de possibilidades se abre: mundos inteiros, histórias fantásticas, personagens magníficos.


Há quem diga que as palavras tem poder. "Não diga isso, atrais coisa ruim" ou "repita isso todos os dias, o pensamento positivo pode criar o que você quiser". Eu não acredito nisso. Acho apenas que as palavras inspiram. Inspirar... Inspirar...


Coisa mais vital à vida é a respiração. Tudo o que fazemos, o fazemos por uma motivação. Quando a motivação é grande e vem lá de dentro, lá do nosso coração, chamamos de inspiração. E da inspiração, a consequência lógica é a expiração. Expiramos ações, atos e gestos concretos que nos fazem construir ou destruir, unir ou separar, irritar ou tranquilizar. São essas ações que tem poder. É o que fazemos de concreto que nos traz coisas boas ou ruins e as levam para os outros. Inspiramo-nos com palavras, expiramos em ações. Inspiramo-nos com palavras, expiramos em ações.


E se a palavra é forte o suficiente para inspirar a ser melhor, expiramos alguém que se forma e que constroi. Se a palavra inspira a se doar, a unir e a fazer-se um, expiramos uma pequena célula de sociedade que vive diferente. É sempre um processo de dentro para fora; uma sublimação do nosso interior para o exterior. É um sentir-se emocionado que se converte em lágrimas; um sentir-se alegre que se abre em sorriso; é um sentir-se amargurado que se converte em isolamento; é um sentir-se desafiado a construir um mundo novo que se converte em amor concreto.


São as palavras do Evangelho, que nos inspiram e desafiam a amar. Amor que transforma.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Votos de Natal

Diz que havia magia na noite de Natal. E o silêncio reinava. E havia paz nos corações. Diz que o Deus-Menino veio fazer morada em nosso meio e arrebentou os laços da soberba, com seu humilde nascimento. Diz também que a natureza se regozijou em festa. Bois, leões, cabras, ovelhas, todos cantavam, ao seu modo, a eternidade de Deus que se fez presença no tempo. Diz que, quando ele nasceu, pairou sobre a Terra um clima de amor e paz, um cheiro de esperança e fé e que, na gruta em Belém, Maria e José sorriam e os reis magos, admirados, adoravam a divindade escondida. Os pastores, por sua vez, contavam e cantavam o canto dos anjos de Glórias ao Deus do Céu.

Dizem tudo isso, e dizem muito mais.

Eu, aqui, tenho minhas dúvidas. Deus não é mágico para fazer magia. Ninguém sabia ainda que o menino nascera, que paz haveria de ter nos corações? Ou que soberba seria desfeita, assim, tão de repente? Demora-se tanto para mudar um coração. Deus bem o sabe. Além disso, animais não foram feitos para cantar. Nem mesmo entender o que se passava eles entendiam. Esperança e fé não têm cheiro, e paz e amor não dá em clima, como chuva de verão que vem e passa. Jesus passou tantos anos falando dessa paz e desse amor, e muito ele teve que falar e fazer para alguém entender um pouco que fosse.

De Maria, José, os reis e os pastores eu até posso crer, e do silêncio profundo que pairou sobre a gruta também. Nesse silêncio eu acredito. Esse silêncio de contemplação do mistério de quem olha sem entender. Silêncio de Maria, de guardar as coisas no coração e medita-las anos a fio, como merecem ser meditadas as coisas grandes, ou melhor, as coisas importantes, que podem ser grandes, ou não. Esse silêncio de desfrutar, de saborear o momento presente sabendo que se está onde se deve estar e que olhar e esperar é a única coisa a se fazer por agora. Esse silêncio que não é passividade, mas pacificação do coração. Que não é fim, mas é processo de tornar tudo mais claro, ainda que continue sempre tão obscuro, pois Deus e seus desígnios não podem nunca ser plenamente compreendidos. Silêncio de aceitação de que não vamos entender. Silêncio de espera e esperança de que mesmo não entendendo, sabemos que nos planos de Deus cada coisa tem o seu lugar e que na hora necessária, com muito zelo e carinho dEle, tudo tomará o seu lugar. Aquele silêncio de aluno que toma nota, que aprende e que olha atentamente para não perder nenhum detalhe da lição. Silêncio de quem aprende a lição mais importante de todas: desfazer-se de si para refazer o outro. Ou, em uma palavra: amar. Amar, que é verbo, ação, movimento.

E daí, desse silêncio, brotou então na gruta a paz, a esperança, o amor, a fé, o gozo e os sorrisos. Ah! Que belos sorrisos deveriam ser. Os mais belos. Os mais belos.

Ó Árvore do Silêncio, enraizada no solo do coração, nessa noite de Natal, permita-nos subir em seu tronco e apanhar em sua copa exuberante teus frutos saborosos, teus preciosos frutos. Permita que nos alimentemos de ti por um minuto que seja, ou mais. E então, e só então, poderemos desvendar, um pouco que seja, o grande mistério do Natal.

Feliz Silêncio! Feliz Natal!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Sobre morrer

O ser humano morre várias vezes ao longo da vida. Morre sempre que sai de sua zona de conforto e vai para um mundo desconhecido, um mundo que dói.

A primeira morte é o próprio nascimento, quando sai do aconchego do útero para um mundo frio de luz cegante.

Mas então, e só então, é q a vida (re)começa...

domingo, 12 de dezembro de 2010

Sobre Celebrar e Se Lembrar

É tempo de CELEBRAR!!!

Tempo de CELEBRAR a felicidade,

Tempo de CELEBRAR a reconciliação,

Tempo de CELEBRAR os bons sentimentos que brotam em nossos corações,

Tempo de CELEBRAR a esperança,

Tempo de CELEBRAR a amizade,

Tempo de CELEBRAR a paz,

Tempo de CELEBRAR as boas ações,

Tempo de CELEBRAR a vontade de sermos mais humanos,

Tempo de CELEBRAR os sonhos,

Tempo de CELEBRAR a vinda do Menino Jesus.

Mas também é tempo de SE LEMBRAR!!!

Tempo de SE LEMBRAR que a felicidade é construída com pequenos gestos, diariamente, para que não se desgastem as relações que temos com os que vivem mais próximos a nós.

Tempo de SE LEMBRAR que não é preciso esperar um ano inteiro de rixas e rivalidades para se pedir perdão apenas no Natal,

Tempo de SE LEMBRAR que um mundo novo não se faz apenas com bons sentimentos, mas com ações firmes, constantes e perseverantes,

Tempo de SE LEMBRAR que esperança é pôr a mão na massa e acreditar que suas obras darão frutos, em vez de sentar pacientemente acreditando que alguém fará alguma coisa,

Tempo de SE LEMBRAR que o consumismo exacerbado é uma forma de construirmos tesouros para nós, mas que os verdadeiros tesouros não são feitos de ouro ou prata, mas são feitos de carne e osso, daqueles corações que, tendo nos cativado, chamamos de família e amigos,

Tempo de SE LEMBRAR que a Paz se edifica na justiça, e é fruto de uma sociedade satisfeita consigo e com os outros, e que, portanto, essa paz só pode advir de pessoas saciadas de um verdadeiro amor,

Tempo de SE LEMBRAR que o dia-a-dia está repleto de oportunidades para fazermos o bem, e o fazermos bem, e que é mesquinhez e pobreza de coração deixar para fazê-lo no final do ano, pois o bem deve perpassar cada minuto de nossas vidas,

Tempo de SE LEMBRAR que a vontade só é eficaz quando há liberdade, e que, por isso, devemos nos libertar dos vícios e medos que nos afligem para que possamos ser mais humanos,

Tempo de SE LEMBRAR que sonhos são a matéria-prima de corações que amam, mas são menos que pó se não se materializarem por meio de mãos que trabalham,

É tempo de SE LEMBRAR que não basta dizer “Vem, Senhor Jesus”, é preciso viver consciente de que Ele já veio e está entre nós, e que, se deixarmos ele fazer morada em nossas vidas, todo dia será

NATAL

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sobre celebrar a amizade

Vamos celebrar a amizade. Celebrar o riso solto, sincero, na certeza de que podemos ser nós mesmos e nada mais, sem medos ou receios de quem nos julgará.

Vamos celebrar o sol, o vento, o frio e a chuva. Celebrar o clima que vier, pois não importa como está o tempo, mas quanto tempo nós èstamos juntos.

Vamos celebrar o mar e a praia e desejar que as ondas tragam mais dias como esses, e levem nossa alegria para quem precisar, quem quer que sejam e onde quer que estejam.

Vamos celebrar a música, as vozes roucas. Celebrar os abraços e beijos e a vida que pulsa mais forte quando temos à nossa volta aqueles que queremos bem.

Sobre estar diante do mar

Sozinho... com o mar. Enfrento suas fracas ondas, cuidando pra não me perder de mim.

Vejo no oceano um barco a navegar distante. Será que o marinheiro vê que eu o vejo e invejo? Será que olha para mim de longe e ri de meu desejo tolo? Quisera agora estar em seu lugar, com o mar ao meu redor e nada mais, o infinto me cercando por todos os lados, e eu, pequeno, me deixando engolir. Será que, ao contrário de mim, ele deseja voltar e estar em meu lugar?

Fecho os olhos e escureço-me. O vento e o mar soam perto e levam pra longe minha alma, que só quer estar ali. E o pensamento voa, como a andorinha sozinha que se perdeu das outras, mas está feliz pela liberdade que adquiriu.

E bate forte em meu peito o desejo intenso de me lançar ao ar. Jogar-me ao mar, e deixar que as ondas me levem pra onde quiserem, sem rumo, sem direção, sem data pra voltar. Pois estou cansado de querer ser muito e me pergunto o que é a vida, senão o querer ser parte de um todo muito maior, como uma gota em um imenso oceano sem fim.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Sobre a grandeza vs a pequenez

Enquanto vivo minha pequena vida e elevo-me à estatura de um adulto sério, o mundo ignora-me e acontece ao meu redor. Olho longe, no horizonte bem distante, entre o céu azul e o azul do mar. Ali tudo parece terminar. Mas o que aparenta ser o fim é apenas o começo de uma longa jornada. Pois o oceano continua, e continua... além do infinito, que não pode ser alcançado só.

E no profundo abismo do oceano, tão longe quanto pode ir a luz, e até um pouco mais, uma explosão de vida respira alheia a tudo o que chamo de importante. E no alto do céu, tão alto quanto eu possa ver, e até um pouco mais, o ar inspira infinitude, rebaixando-me à altura de um ser tão pequeno e insignificante, e até um pouco mais.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sobre a estrada...

Às vezes me vejo sem a noção de estar em mim. Volto ao mundo real de repente, e percebo que por alguns minutos não estive aqui. Sensação estranha de viver sem estar presente, ou de estar presente sem viver. É uma leve e curta ausência do ser, seguida por um dar-se conta.

É que todo dia é sempre assim: o dia vai passando, a rotina se repete e eu esqueço da importância de sentir de novo - mas de maneira diferente - a mesma sensação de ontem e da semana passada. Pra quê? É tudo sempre igual. Ligo o motor na banguela, coloco no ponto-morto (não há melhor analogia), deixo o carro descer a ladeira... e as horas voam como o vento na janela, sem que eu passe a marcha, ou reduza ou faça a curva. Apenas sigo em frente e passo o dia sem perceber que sou eu o condutor, que ainda tenho a obrigação e o direito de dirigir a minha própria vida. Ainda tenho o dever - e ninguém o realizará por mim - de rumar para onde realmente quero chegar.

E ninguém o realizará por mim. Não há barreira policial me impedindo de seguir em frente na rotina e na mesmice. Toda a pista está vazia e livre para que eu continue o mesmo caminho, sempre e sempre, por quanto tempo eu desejar. Mas, quando a gente anda sempre para frente, não pode mesmo ir longe... diria o pequeno príncipe.

Talvez seja preciso virar, ou dar meia volta, sei lá. De repente - sem ser tão radical - parar num posto e comer algo, ou apenas aprecisar a paisagem. Tirar umas férias, quem sabe.

Quem sabe? Se houver combustível para isso...

Mas tlvez a estrada que eu tomei esteja mesmo me levando para um bom lugar... quem sabe?

domingo, 29 de agosto de 2010

Sobre considerações

É, eu sei. Tenho andado sumido disso aqui. O cansaço é grande, os compromissos são muitos e poucas vezes a vontade de escrever tem prevalecido a toda a correria dessa vida. Preocupo-me de estar deixando de lado uma parte de mim, o escritor que quero ser, o usador de palavras ao vento que tem a ânsia de deixar um pouco de si pro mundo ouvir, ler. Mas há projetos maiores, é por eles que eu tenho me deixado levar. É por tudo aquilo em que um dia eu acreditei, e pelo que desejei dar a minha vida, meu tempo, empregar meus esforços, meus talentos. É preciso lembrar de vez em quando, que a escolha que fiz foi consciente e fruto de toda uma vida de experiências que me tem completado, que me tem formado, e que as renúncias serão necessárias para completar o caminho. É preciso lembrar, sempre! Se não, corre-se o risco de se acostumar com a vida, e achar que o que estamos fazendo é rotina chata e barata, quando, na verdade, é resposta de vida a um chamado.

Só pra constar: é uma delícia saber que estamos no lugar certo!!!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Sobre celebrar a vida!

Vamos celebrar a vida!!!

Dar o beijo que precisa ser dado.
Apertar num abraço forte o amigo.
Dizer as palavras que calaram há muito, mas que ainda moram no coração.

Querer bem a todos que passam ao lado.
Perdoar quem deve ser perdoado.
E pedir perdão.

Recordar com carinho dos que se foram.
Fazer valer sua memória e história.
Guardar no coração os bons momentos.

Lembrar que há muito que viver.
E que a vida não acontece sozinha.
É preciso querer. É preciso mover.

Sorrir.
Cantar.
Dançar.

Não deixar passar em branco o dom da vida.
Aproveitar cada chance de ser e fazer feliz.
Cuidar... de si, do outro, de todos.

Fazer valer nossa passagem, que é breve.
Para sermos lembrados...
... como aqueles que amaram. E só!

SE LEMBRAR DE CELEBRAR MUITO MAIS!

Vamos celebrar a vida!!!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Sobre querer mais

É a loucura de nossos dias.
É a procura da felicidade.
É a incerteza da alegria.
É a busca por um sentido.
É estar perto, mas tão distante.
É estar atento, mas vacilar.
É querer bem, mas fazer chorar.
É a tristeza dos perdidos.
É se arrepender da omissão.
É um ateísmo discrente.
É não ter tempo para o mais importante.
É ter tempo... mas não aproveitá-lo.
É deixar passar as oportunidades.
É viver na mesquinhez do dia-a-dia.
É não sensibilizar-se.
É sensibilizar-se... e só.
É passado.
... perdido.
... deixado.
... esquecido.
... passivo.
... espera.
... medo.
... cansaço.
É a necessidade da mudança.
É a chance.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Sobre o mais alto que eu puder

Eu vou subir o mais alto que eu puder... e de lá vou gritar, para todo o mundo ouvir...

Eu vou subir o mais alto que eu puder... para contemplar o mundo aqui de baixo, tão pequenino...

Eu vou subir o mais alto que eu puder... e não vou descansar até que chegue lá...

Eu vou subir o mais alto que eu puder... e de lá saltarei, em vôo livre, e planarei sobre a montanha, sobre as árvores, ao lado das aves livres que se contentam em ser o que são e voar...

Eu vou subir o mais alto que eu puder... e lá descansarei, respirando o ar rarefeito, frio, que entrará em meus pulmões congelando todo o calor de viver...

Eu vou subir o mais alto que eu puder... e lá avistarei o mundo, que no horizonte bem distante toca o céu, avistarei as nuvens abaixo e acima, e me sentirei o rei do meu universo...

Eu vou subir o mais alto que eu puder... para que quando descer eu possa avisar a todos que o horizonte é bem mais longe do que se vê...

e que é possível ir além do que se crê...

e que a grandeza dos problemas é relativa, assim como a pequenez de um breve gesto de amor...

e que mesmo o coração mais gelado, ainda pode ser aquecido por um longo abraço...

e que a liberdade é o maior dom do ser humano, mas que é preciso saber voar como as aves e não se prender aos vícios do caminho...

Eu vou subir, mas lá não ficarei por muito tempo... por que a vida acontece aqui e é aqui que eu devo estar.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Sobre a primeira viagem...

Sim... sou marinheiro de primeira viagem. Suscetível a deslizes e fracassos. Não experimentado nos reveses nem nas sortes, fadado, quem sabe, a um destino bem menos romântico que o imaginado. Sim, sendo de primeira viagem, vislumbro-me com as maravilhas que encontro no caminho, e sinto, sinto forte, com emoção que rasga ou alegria eufórica toda vez que, pela primeira vez, a experiência me atinge.

Não... não serei tudo aquilo que posso ser. Não por não querer, mas por incapacidade de prever e de escolher a melhor opção a todo instante e durante toda a minha vida. Certamente em algum ponto escolherei (ou escolhi) o caminho mais fácil ou o mais atraente, mas não o melhor, e essa escolha me seguirá por toda a minha vida, sem que eu seja capaz de dela me desvencilhar. Não o omito, mas assumo, sem medo e sem pretensão de querer ser o melhor.

Talvez... talvez chegue a ser grande, talvez realize imensas obras. Mas o mais provável é que eu siga caminhando como vou, plantando ao meu redor pequenos jardins de flores belas. Infelizmente pisarei em muitas, e, por isso, já peço perdão, pois, sendo de primeira viagem, não estou muito atento ao caminhar. Talvez esbarre com outros caminhantes e juntos (aí sim) façamos algo grande, memorável, que perdure por muitos séculos. Prometo ficar atento: aos sinais, aos que vão, aos que caminham ao meu lado. Mas se porventura a oportunidade passar, não me desesperarei, mas seguirei.

Com certeza, encontrarei tormentas nessa primeira (e única!) viagem. Sem dúvida, não poucas vezes perderei de vista o sol, ou as estrelas que me devem guiar. Mas tentarei aproveitar a brisa leve que de manhã me acordar, me esquentarei no sol quando ele sair, e procurarei forças para sempre navegar. E assim rumarei, sempre rumarei, de velas bem abertas para o vento que soprar, quando para o meu destino ele apontar.

E assim rumarei, sempre rumarei...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Sobre acostumar-me

Eu me acostumei a não pedir perdão e esperar que o tempo cubra a ferida, mesmo sabendo que ela não foi curada.

Eu me acostumei a não ser sincero, e assim esqueci o que é verdade em mim.

Eu me acostumei a falar de mais, e agora não consigo ouvir nem mesmo o meu coração.

Eu me acostumei a julgar atitudes e palavras, deixei de fazer grandes amizades assim.

Eu me acostumei a deixar a distância enterrar amizades, mesmo sabendo que seria muito mais bonito estar junto.

Eu me acostumei a não dizer 'te amo', e agora não faço nem um simples elogio.

Eu me acostumei a contar erros de outros sem corrigi-los, e assim dei início a muitas fofocas.

Eu me acostumei a deixar pra depois, e agora o ontem está cheio de espaços vazios.

Eu me acostumei a não ter disciplina, para não ser quadrado, e assim deixei de aproveitar com sabedoria momentos importantes.

Eu me acostumei a me acostumar, e assim deixei de me inquietar com a injustiça e a miséria.

Eu me acostumei a dizer palavras bonitas, mas esqueci de vivê-las.

Eu me acostumei a fazer muitas novas amizades, mas me esqueci de cultivar as velhas, que me ajudaram a ser quem eu sou.

Eu me acostumei a ver o sofrimento e a me compadecer, mas sem agir, e assim me tornei cúmplice do mal que não cometi.

Eu me acostumei a ser bom, sem querer ser melhor, e acabei deixando muito a desejar.

Eu me acostumei a fazer o suficiente, e deixei de dar o melhor de mim.

Eu me acostumei a imitar e reproduzir, e deixei de criar, mudar e ousar...

E tudo ficou mais cinza...

E as páginas de minha história ficaram manchadas pelo comodismo inerte.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Sobre os dias que correm e somem

Ano novo, vida nova, texto velho.
Escrevi esse texto para o Alpinista - Jornalzinho do Movimento Escalada - ano passado. Achei que como estamos passando por uma virada de ano, não seria mal refletir um pouco sobre a correria do dia-a-dia e a rápida passagem do tempo.
Lá vai!


A vida muito corrida não deixa tempo para pensar. No ritmo acelerado dos dias, é preciso estudar muito, trabalhar mais ainda, encontrar os amigos, ajudar em casa, estudar mais um pouco, ter aulas de inglês, de espanhol, de francês, árabe, mandarim, russo, grego, fazer natação, voley, handball, futebol, ir para a academia, namorar, estudar mais e se sobrar tempo dormir. UFA! É preciso respirar também.

E assim “os dias correm e somem e, como o tempo, não vão voltar”.

O verso destacado é de uma música da banda Rosa de Saron e continua assim: “só há uma chance pra viver”.

Só há uma chance pra viver! Para muitos, essa frase é usada para justificar o “chutar o pau da barraca” e aproveitar tudo o que a vida tem para oferecer: Carpe Diem, aproveite o hoje! Para outros, esse verso é incentivo a uma entrega de corpo e alma pelos ideais a que se propõem, sejam eles de cunho humanista, ambientalista, religioso: a vida é uma só e é breve, não terei outra chance de deixar minha marca, de fazer diferença; é preciso agir.

E você? O que lhe suscita ler esse verso? Só há uma chance pra viver! O que você quer viver que não pode ser deixado para depois? Vamos, pense. Sei que você tem a sua resposta!

Pensou? Pois bem, talvez não tenha sido esta a sua resposta (talvez nem lhe tenha passado isto pela cabeça), mas muitos responderiam que só se tem essa chance para oferecer à vida tudo o que eles têm de melhor. Esses homens e mulheres a quem me refiro foram santos. Não só os santos dos altares e imagens nas igrejas, mas também os anônimos e silenciosos que não ficaram conhecidos mundialmente e cujo único milagre foi viver uma vida de amor e doação.

São homens e mulheres que souberam aproveitar cada minuto que corre e some para deixar no mundo uma gota a mais de sanidade, compreensão, carinho, amor mútuo, solidariedade, amizade, paz, justiça, igualdade... Enfim, esses homens e mulheres colocaram os valores cristãos no centro de suas vidas, colocaram o próprio Cristo no centro e o levaram a todos quantos cruzaram seus caminhos. É o caso de São Francisco de Assis, Madre Tereza de Calcutá, João Paulo II, Gilmara Bezerra, tia Erineide (não conhece as duas últimas? Pergunte a um alpinista um pouco mais antigo e ele lhe dirá quem são, com muito carinho e um sorriso bem grande).

Eles souberam viver! E por isso seus nomes se perpetuam até hoje em nosso meio, trazendo mensagens de amor e de esperança para um mundo que às vezes parece sem conserto; um mundo em que crianças definham de fome, países guerreiam por dinheiro, jovens brigam entre si por rixas tolas, pais e filhos não se entendem...

Volto a perguntar: e você? O que lhe suscita ao ouvir que só há uma chance pra viver? Como você tem gastado os minutos que correm e somem? Você tem deixado um rastro de amor? Um rastro de ódio? Ou não tem deixado rastro nenhum?

Sempre é tempo de mudar. Sempre é tempo de recomeçar e tornar nossas vidas mais dignas de serem lembradas por muitos como uma vida que não passou, mas permaneceu. Pode ser difícil começar a viver diferente, mas vale a pena. Além disso, nós alpinistas temos um grande apoio, um grande professor, um grande exemplo a seguir: Jesus Cristo. Que outra pessoa fez mais diferença neste mundo? Que outra pessoa deixou maior rastro de amor?!?!

Ele nos ensinou e nos ensina. Podemos saber o que ele fez e imitá-lo ao ler seus Evangelhos. Podemos pedir que nos ilumine e bater um bom papo com ele nas adorações mensais da Escalada.

Só há uma chance pra viver! Não podemos perder tempo desperdiçando nossas vidas como copos descartáveis, se podemos ser sal da terra e luz do mundo.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Sobre 2009

Pela primeira vez na vida não passei o ano novo em Ribeirão Preto. O Reveillon foi com os amigos, os melhores. TODOS - ou quase todos - reunidos. Depois da festa de fim de ano, visita ao Santíssimo e conversa com a Gabióloga. Uma conversa que deixou pendências latentes no meu modo de viver a vida, e que pretendo colocar em prática em 2010! Um ANO depois da conversa!!!

Alguns dias depois, viajei para a Bahia. Minha primeira vez no Nordeste. Era pra ser a viagem de formatura, mas só foram 5 pessoas. Aos outros 25 que não foram, perderam! Verão, sol, praia, rede, mar, moqueca, camarão, praia, mar, rede, mar, praia... enfim, Nordeste.

Voltando do Nordeste, continuar estudando pra concurso do IBAMA!

IBAMA = #FAIL!!!

Caramba, ainda estamos em Janeiro. E no último dia de janeiro, minha irmã se casou. A primeira de 6!!! Espero que não a única - mas do jeito que as coisas andam...

Fevereiro, formatura em bacharel. 4 anos de formação em Biologia! Ah! Um dos primeiros Carnavais passados em BsB, sem fazer retiro. Hm. O que mais? Saiu concurso da ADASA: Estudar, estudar, estudar, estudar!!! 8h por dia na Biblioteca Nacional, cursinho a noite, aula sábado e domingo de manhã e de tarde, e, às vezes, à noite. Ralação recompensada com a aprovação!!! UHUUUUL o/

O estudo foi até abril. Durante todo esse tempo, dei um tempo na Escalada - acreditem se quiser - e não apareci na UnB. Ops, UnB, né?

Ok! Tinha um estágio de licenciatura a cumprir. Um não! DOIS! Aula para a 5ª série e o 3º Ano. Terror e pânico! Medo dos alunos bagunceiros e malas do 3º ano? Que nada! Quem assustou mesmo foram os molequinhos da 5ª. Ser professor quando crescer? Acho que não!

Depois das férias forçadas na Escalada, nada como trabalhar em uma Escalada para voltar à ativa. Escalada CAMINHADA! Rendeu boas lembranças, excelentes experiências, aprofundamento na fé e, como sempre, AMIZADES. Algumas fortalecidas, outras começadas.

Por volta de Junho, a notícia da aprovação na ADASA! Muito alarde, muita comemoração e muita alegria!!! Junto com a aprovação, o chamado, o convite, a missão! Coordenar o Movimento Escalada? Topo, topo, por que não?

Estamos no meio do ano. Em julho, começo a trabalhar. Ministério da Saúde, Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais, no subsolo do subsolo, do anexo do anexo. Não é lá muito divertido, mas vamos levando.

Nesse percurso, boas amizades feitas no serviço; imbróglios na coordenação da Escalada; de saco cheio do serviço; reuniões exaustivas na coordenação; mais amizades feitas no serviço; alegrias e alegrias acompanhando a Escalada passo-a-passo; opa!!! Formatura em Licenciatura!!! ACAMPS 2 - Tô de Volta!!!

Começo a malhar. Engordo 10 kg! Tô começando a ficar fortinho. Tô com hérnia. Paro de malhar. Emagreço tudo. Magro e fraco de novo. ¬¬

Parece que o segundo semestre não teve muita coisa quanto o primeiro. Provavelmente foi um semestre passado no arquivo do Ministério durante o dia, e em reuniões durante a noite.

Em dezembro, cirurgia. Minha primeira operação. 2 dias de cama. Uma semana com poucos movimentos. E agora, Ribeirão Preto! Quase que despedida dessa cidade. Penso que será cada vez mais raro vir aqui.

Durante todo o ano, mantive-me firme escrevendo no blog - coisa que me deixa deveras feliz! -, li mais de 10 livros; renovei e reforcei amizades; fui ministro extra-extra-ordinário da Sagrada Comunhão Eucarística 3 vezes; dei várias palestras; fui para Nova Betânia várias vezes; me apaixonei; dei muitas gargalhadas - tipo, MUITAS gargalhadas; passei várias horas na internet - tipo VÁRIAS horas; viciei em "House" e "How I Met Your Mother"; fiz Twitter e twittei adoidado; aumentei consideravelmente meu repertório musical; joguei máfia até altas horas da madrugada; comecei a juntar dinheiro e a fazer planos de viagens para o futuro; chorei. Não necessariamente nessa ordem.

Que mais posso dizer? Foi um ano intenso, de muitas aprendizagens, muitas perdas de tempo, muitas - mas MUITAS mesmo - mudanças, muitas alegrias e algumas tristezas. Acima de tudo - de uma forma ainda não muito palpável, mas que já posso pressentir - 2009 foi um ano que me preparou, me moldou, me alertou e me lançou para tudo o que há de vir em 2010 e daí pra frente. Foi um ano de transição.

Algo me diz que daqui pra frente muita coisa será diferente no meu modo de encarar a vida, de aproveitar as oportunidades, de arriscar, de viver.

Pois que venha o ano-novo, e com ele, uma folha totalmente em branco, onde eu possa desenhar tudo aquilo que eu quiser.

A todos vocês, Um Feliz 2010!!!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Sobre o primeiro propósito para 2010

Why not? I´d say!

Esse blog vai mudar! Sim, vai mudar!

Lembram das perguntas que nós nos fazemos todo fim de ano? Aquelas do post anterior. Pois bem, algumas delas me fizeram ver que preciso de um pouco de mudança. É! Mudança!

Cheguei à conclusão de que só faço algo diferente, ou vou mais além no que faço, quando estou EXTREMAMENTE confiante de que posso fazer aquilo, de que serei bem sucedido. And that's not a good thing!*

Não é legal fazer as coisas somente quando se está confiante. Assim deixa-se passar várias oportunidades pela vida em coisas que se estaria preparado, mas não se sabia; e deixa-se de quebrar a cara em outras tantas coisas, e, consequentemente, aprender com a dor que a lição traz.

Por isso eu decidi que 2010 será o ano da audácia, da coragem, ou melhor, da ousadia.

Sim, ousar! "Ousar é perder o equilíbrio momentaneamente. Não ousar, é perder-se!".

Não ousar é perder-se em um mundo previsível, sem aventuras, sem distrações e quase sem erros. Este mundo é um lugar seguro. Com poucos choques, poucas dores e, talvez, alguma vida.

Does that look nice to you? Well, it seemed to me for a while, but not anymore.

Ousar é perder o equilíbrio... momentaneamente. É arriscar naquilo que não se tem certeza, é apostar as fichas naquilo que pode não dar certo... mas pode dar. E este "pode dar" está faltando em alguns pontos da minha vida. Lacunas que clamam por preenchimento. Sem querer filosofar de mais, digo que ousar é perder o equilíbrio momentaneamente por que, uma vez tendo lançado a sorte, ela pode correr para o seu lado ou para o outro lado, e é então que você se adapta a nova situação. Deu certo? Opa, território desconhecido, mundo novo, mas dentro de poucos dias tudo é normal. Deu errado? OOOps. Too bad. Come on. Bola pra frente. Levanta sacode a poeira e vamo que vamo...

Por isso, ouse!

Juntando a esse compromisso pessoal a mensagem do post passado, não tenho medo de me perder em minha ousadia. (Pra quem não leu o "Sobre a primeira reflexão de fim de ano", basicamente cheguei à conclusão de que devemos ser fiéis a nossas convicções, valores e princípios). Ousar, mas sem deixar de lado valores e princípios. Fazer o que talvez não esteja preparado a fazer, desde que não quebre nenhuma regra, ou limite, que eu estabeleci para minha vida. (Notem: regras que EU estabeleci para mim, pois acredito nelas e creio que me tornam uma pessoa melhor).

Ousar! Eis a palavra para 2010. Em que pontos da vida irei ousar? Bem, isso eu ainda estou planejando, pensando, refletindo... O mais provável é que haja uma pitada de ousadia em cada aspecto do que vivo. E um pouco mais do que uma pitada em outros.

Por que isso veio parar no blog às 4h da manhã da madrugada de Natal? Bem, é que assisti um filme que me inspirou de verdade. Aí pensei: tenho que escrever no blog sobre esse filme. E depois: Mas o blog é para contos, poemas, no máximo, reflexões... não para críticas de filmes. And then: Pfff... O Blog é meu e eu faço com ele o que eu quiser.

*(By the way... alguns de vocês devem ter notado que tenho tuitado, ou postado, ou falado, ou qualquer coisa que se assemelhe com um modo de comunicação, usando expressões ou frases em inglês. Não liguem muito. É só uma pequena overdose de seriado norte-americano. And I kinda like the way they talk!)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Sobre a arte de amar! =D


“A caridade é uma virtude importantíssima, é tudo. Portanto, convém, desde já, empenharmo-nos em vivê-la um pouco melhor. Para tanto, é preciso saber quais as coisas que a fazem especial. Diz um pensador: ‘Amar é bom; saber amar é tudo’. Sim, saber amar, porque o amor cristão é uma arte, e é preciso conhecer essa arte.A verdadeira arte de amar emerge por inteiro do Evangelho de Cristo. Colocá-la em prática é o primeiro e imprescindível passo a ser dado para que se desencadeie a revolução pacífica, tão incisiva e radical, que muda tudo. Ela atinge não apenas o campo espiritual, mas também o humano, renovando cada sua expressão: cultural, filosófica, política, econômica, educativa, científica etc. é esse o segredo da revolução que possibilitou aos primeiros cristãos invadirem o mundo então conhecido.”(Chiara Lubich)


São 6 pontos da Arte de Amar:

Amar a todos

A primeira qualidade do amor cristão é amar a todos.Essa arte de amar pretende que amemos a todos, sem distinção, como Deus ama. Não há que escolher entre simpático ou antipático, idoso ou jovem, compatriota ou estrangeiro, branco ou negro ou amarelo, europeu ou americano, africano ou asiático, cristão ou judeu, mulçumano ou hinduísta... O amor não conhece nenhuma forma de discriminação. Se somos todos irmãos, devemos amar a todos. Devemos amar a todos. Parece uma coisinha de nada... Mas é uma revolução!

Amar o inimigo

“Amai os vossos inimigos” (Mt 5,44). Isso sim vira pelo avesso nosso modo de pensar e faz que todos dêem uma guinada no timão da própria vida! Ele está ali na senhora tão antipática e implicante que procuramos evitar... está naquele parente próximo que prejudicou nosso pai trinta anos atrás... está na carteira de trás na escola... é aquela moça que foi embora com outro... aquele comerciante que nos enganou... são aqueles que, politicamente, não pensam como nós e por isso consideramos inimigos...Pois bem, todos esses e uma infinidade de outros, que chamamos de inimigos, devem ser amados. É preciso coragem. Mas não é o fim do mundo: um pequeno esforço da nossa parte, pois noventa e nove por cento é Deus quem faz e... no coração, sentimos uma enxurrada de alegria.

Amar primeiro

Outro passo da arte de amar, talvez o que requer mais empenho de todos, que põe à prova sua autenticidade e sua pureza, pede que amemos primeiro, tomando sempre a iniciativa, sem esperar que o outro dê o primeiro passo.Fomos criados como um dom uns para os outros e cumprimos esse nosso ser pondo todo o empenho pelos nossos irmãos e irmãs com aquele amor que antecede qualquer gesto de amor do outro.

Fazer-se um

Há um ponto da arte de amar que ensina como colocar em prática o verdadeiro amor pelos outros. É uma fórmula simples, feita de apenas duas palavras: “fazer-se um”.“Fazer-se um” com os outros significa assumir os fardos deles, as preocupações deles, partilhar os sofrimentos e as alegrias deles.“Para os fracos fiz-me fraco ... Tornei-me tudo para todos a fim de ganhar o maior número possível” (I Cor 9, 22.19) Sim, esse é o caminho, porque é o mesmo que Deus percorreu para manifestar-nos o seu amor: Ele se fez homem como nós e foi crucificado e abandonado, para colocar-se ao mesmo nível de todos. Fez-se verdadeiramente “fraco com os fracos”.

Ver Jesus no outro

O amor evangélico quer que reconheçamos Jesus no próximo, como Ele disse, ao falar do juízo final: “Pois tive fome e me deste de comer. Tive sede e me destes de beber ... Em verdade,, vos digo: cada vez que o fizestes a um desses meus irmão mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25, 35.40).Portanto, essa arte de amar requer também que reconheçamos Jesus, que acreditemos que Jesus está por trás de cada irmão, porque Ele considera feito a si o bem e o mal que foram feitos ao próximo.

Amor recíproco

“Fazer-se um”: é isso o amor.“Fazer-se um” até que a pessoa amada desse modo entenda o que é o amor e queira, por seu turno, amar.O amor verdadeiro, a arte de amar, em seu ponto culminante, é amarmo-nos mutuamente. Amarmo-nos mutuamente de tal modo que mereçamos o dom da unidade. Porque nós não sabemos fazer a unidade. Podemos fazer a nossa parte, amarmo-nos, mas a parte mística da unidade, a presença de Cristo em nosso meio, deve vir do Céu.

O lance é lançar o dado no começo do dia e esforçar-se por viver aquele ponto! ;)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Sobre pintores, cores e quadros


É assim a vida: as pessoas vêm, as pessoas vão; às vezes ficam pra sempre (gostaria que muitos fossem assim!). De qualquer forma, invariavelmente (ou quase sempre), deixam um pouquinho de si com a gente, e levam um pouquinho de nós com elas.

Ontem conversava com uns amigos. Um deles disse não acreditar em alma gêmea, e a outra disse que nós já somos completos e falar em alma gêmea faz parecer que somos só metade. Definitivamente não somos metade, eu, pelo menos, sou bem inteirinho. E também não acho que tenhamos uma alma gêmea, seja ela metade, inteira, ou só parte...

Acho que somos interinhos. Auto-suficientes, então? Bem, só se você quiser. Mas eu prefiro dizer que somos um pintor, e nossa vida é um quadro. Posso pintar as maravilhas que eu quiser, mas (há um mas; sempre há) só temos uma cor em nossa humilde aquarela. Como pintar um belo quadro com uma cor apenas?

Do resto, já deu pra entender. Se eu quiser ser auto-suficiente, vou pintar um quadro monótono, monocolor, homogêneo... Mas bonito mesmo é aquele quadro bem colorido, em que diversas cores se complementam, se harmonizam, se completam e formam uma grandiosa paisagem, ou um lindo animal, quem sabe um céu cheio de estrelas. É o milagre dos relacionamentos: cada um deixando uma pincelada no quadro do outro. Umas pinceladas são grossas, outras finas, umas ocupam grande parte do quadro da vida, outras são apenas um ponto. As que são apenas um ponto podem ser irrelevantes, ou podem ser AQUELE ponto que dá um QUÊ a mais e faz toda a diferença.

Eu tenho a graça de poder dizer que meu quadro é bem colorido. Cheio de cores que cruzam, entrecruzam, param aqui, continuam ali. Não sei que pintura vai dar, se paisagem ou retrato, se obra expressionista ou barroca. Tampouco acho que isso importe.

Também tenho a honra de anunciar: deixo minha marca em vários quadros por aí. Minha cor tá um pouquinho aí, um pouquinho ali, bastante acolá... Espero estar contribuindo para belos quadros.

Quanto à história da alma gêmea, certamente, a cor da minha aquarela combina mais com alguma cor que anda por aí. Sabe aquele lance de cores complementares? Ou aquela bela harmonia entre o azul e o laranja no ocaso?

Esse é o quadro de nossas vidas... E se quisermos viajar um pouquinho mais, podemos pensar que além de nossos quadros, somos responsáveis também por pintar um quadro maior ainda, comunitário, que todos pintam: tipo a história do mundo. Que contribuição eu dou a esse quadro? Que traços eu faço, e com que frequência eu atuo?

É. Cores, cores, muitas cores. Como num mosaico. É assim que as pessoas vêm e vão. Deixando seus traços e suas tintas. Agora que está avisado, tome mais cuidado. Não deixe de pintar no quadro dos outros, mas preste atenção naquilo que pinta. Não queira deixar um borrão...

Quadros, quadros, muitos quadros. Espero que o meu termine como uma grande obra de arte, exposto no mais importante ateliê da vida.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Sobre uma conversa

- Pra alguém tão pequeno, você parece bastante forte, garoto!
- Obrigado! O senhor também é bastante gentil pra alguém tão grande!
- Mas as pessoas grandes não podem ser gentis?
- Podem sim, senhor.
- Chame-me de você, por favor!
- Mas o senhor é muito alto e bem mais velho pra eu te chamar de você.
- Mesmo assim, chame-me de você! Não se preocupe, somos amigos não somos?
- Somos sim, senhor. Quer dizer. Somos sim!
- E você dizia que as pessoas grandes podem ser gentis...
- Sim, elas podem. Mas não é o que acontece normalmente, entende? As pessoas grandes acham que podem tomar conta de tudo e mandar. E aí viram pra gente que é pequeno e são sem educação, e não tão nem aí, sabe?
- E você acha que eu sou assim?
- Não. Mas a gente se acostuma a achar que é sempre assim.
- Sei, sei. Sei muito bem. Sabe, algumas pessoas não entenderam o porquê de serem grandes. O grande está ali para servir de apoio ao pequeno, o pequeno, por sua vez, deve aprender a crescer com o que é grande. Você já foi à escola?
- Sim.
- Pois bem, o professor jamais pode desdenhar do aluno por este não saber alguma coisa. Um dia ele foi aluno e precisou aprender. E o aluno deve levar a sério o professor, porque tem muito o que aprender com ele. Mas quem é mais importante, o professor ou o aluno?
- O professor. Sem ele o aluno não vai aprender.
- Mas sem o aluno, o que seria do professor?
- ...
- Vê? Um só existe se o outro existir.
- Aham. É como o pássaro e a árvore.
- Não entendo.
- Assim, a minha mãe me disse uma vez que sem a árvore o pássaro não tem abrigo, mas sem o pássaro as sementes da árvore não se espalham.
- Isso! Captou bem a mensagem. Dessa forma, a árvore, por maior e mais bela que seja, não pode dizer ao pássaro que ele não é nada.
- E o pássaro não pode zombar da árvore por ela não poder voar!
- Nessa eu não tinha pensado. Você está me surpreendendo.
- Mas... e quando é a árvore que deseja ser pássaro pra poder voar?
- Todos desejam... é inerente às criaturas! O que a árvore deve saber é que o pássaro deseja ser falcão, e este deseja ser um grande peixe, que talvez deseje ser uma árvore...
- E por que as coisas simplesmente não se satisfazem com o que são?
- Por que nessa vida, elas são apenas espelho do que serão. E por que no fundo, não se compreenderam como são.
- Como assim?
- A árvore não pára pra pensar no quanto é bela e importante. Ela fica olhando pra fora, só pra fora. Não olha pra dentro.
- Entendo. Se eu olhar pra dentro vou me ver grande?
- Não, você é pequeno. Se olhar pra dentro vai se ver como é. E no seu caso, vai ver o quanto é importante para aqueles que te amam. E, posso te contar um segredo?
- Pode.
- Quando você olhar pra dentro de si, você vai me encontrar.
- Como assim? Você não está no céu... E eu sou muito pequeno pra você caber aqui dentro.
- Pois bem, aqui voltamos ao ponto de partida. Você disse que eu sou muito grande, não é?
- É... e é por isso que eu te chamava de senhor.
- É. Mas você não imagina o quanto eu sou grande. Sou maior do que você pensa, e posso mais do que qualquer um.
- Então, como você diz que vou te encontrar aqui? Eu, tão pequeno.
- Por que não uso meu poder para dominar, ao contrário dos reis dessa terra. Não guardo minhas riquezas para mim, ao contrário dos ricos dessa terra. Não me imponho para ser respeitado ou adorado, ao contrário dos grandes dessa terra. Uso meu poder para poder estar perto dos que eu amo, partilho minhas riquezas e rebaixo-me para que meus filhos se sintam a vontade de falar comigo, assim como estamos fazendo agora. Entende?
- Entendo.
- Mas preste atenção. Ainda há uma diferença entre as analogias que fizemos.
- Qual?
- Você me disse que o pássaro precisa da árvore e árvore do pássaro e um não pode zombar do outro não é?
- É.
- Bem, eu me fiz necessitado de você, mas no fundo, não preciso de você pra ser quem sou. Já você, sem mim, não é nada.
- Eita.
- Hahahahahaha. Mas não se assuste. Apesar de eu não precisar de você para ser quem sou, eu não seria eu mesmo se não me importasse com você.
- Hein? Essa eu não entendi.
- E nem vai entender hoje. Boa noite, tá?
- Boa noite.