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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Sobre quem eu sou II

Às vezes, eu não me contenho em mim.
Sou profundo, sou abismo, escuridão sem fim.

Daí, me exploro e me busco em meu recanto.
E se me acho, me encanto e me espanto.

Quem sou eu? eu grito e o eco ecoa.:
Quem sou eu? ouço na volta o som que soa.

E descubro: nem eu sei na verdade quem eu sou.
Volto a me conter em mim e pro raso vou.

Sobre quem eu sou...

Sou um sonhador,
um apaixonado.
Sou um romântico enjaulado.
Um louco desvairado.

Sem jeito, às vezes me retraio.
Me sequestro, me amordaço,
Me tranco no porta-malas,
E me aflijo, e me apago.

Mas quando me libertam,
Ah! Quando me liberto!
Sou fogo que incendeia,
Alma insatisfeita.

Uma força da natureza
Que não se contém.
E, então,
me alastro...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Sobre a alma e o poeta

O verso livra, o poeta.
A alma, encarcera.
Para que exista ser,
não age, espera.

Enquanto irrompe,
num ar de insone,
nasce a poesia,
e o sono some.

Ele, seus desejos deixa,
seu ser ajeita,
por horas escreve,
ela se queixa.

O verso livra,
a alma grita.
Cresce a tensão,
Cresce a intriga,

Encarcerada
desesperada,
- Não há encanto,
não há nada.

Agoniado,
atormentado,
Dói-lhe os ouvidos,
sofre calado.

E brigando permanece,
Até que o surto desvanece.

A alma e o poeta.
Ela cala,
ele prevalece.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Sobre a parte que fica

Um pouco de nós mesmos
ficou no espaço entre o hoje
e o dia em que fomos nós.

E hoje somos massa moldada,
ainda disforme, mas acrescentada.
Tolo é quem acha que não muda.
Mais tolo é quem a mudar se recusa.

O mundo em que vivo é o mundo que crio.
E no mundo que crio eu vivo
Sendo menos o que quero ser
E mais o que crio em mim. de mim.

Mas não importa.
Amanhã, um pouco de mim
não sou mais eu.

Que fique, pois, a pior parte.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Sobre falta

no deserto
da ausência

na esperança
da presença

que vivifique
que crie vida

nas pedras
inférteis

que aqui
há,



domingo, 17 de janeiro de 2010

Sobre utopia às avessas

Era uma cidade:
amigos e casas,
ruas e praças,
sol e peteca.

Os meninos se escondiam,
as meninas procuravam.
Os pais sorriam...
e mais nada.

O pão era fresco,
a água gelada,
comida pra todos,
ninguém suplicava.

Alguém falou: "isso é meu,
vou guardar pra amanhã.
Te dou isso se me entregar
essa carrinho rolimã."

E houve a troca,
e depois a venda.
Cada um guardou o seu,
e escondeu de quem não tinha.

Havia uma cidade,
indivíduos... e casas trancadas.
O sol lá fora,
mas ninguém brincava.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Sobre uma palavra!

Palavras bonitas, vazias, não ouvirá.
Um discurso belo e sincero, não gravará.
Talvez um sorriso e um abraço apertado,
sem pretensão, distração ou falsidade.

Um aperto de mão camarada,
um beijo molhado no rosto,
um muito obrigado, sem dúvida,
mas, no fundo, de que valerá?

Por que não se exprimem em palavras,
não se encontram em canções,
nem se demonstram com o corpo, talvez nem com o coração,

A vontade de caminhar ao seu lado,
a riqueza, a beleza e a magnanimidade
dessa simples palavra: AMIZADE.

Miguel Sartori =D

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Sobre a vida lá fora

Hey você, olha pra mim,
Diga que não é bem assim.
Que a vida lá fora, não é tão complicada.
Que vale a pena correr,
pra chegar em algum lugar.
Por que há um lugar, há sim!

Hey você, dê um sorriso,
Esqueça tudo: aqui é o paraíso.
Viver é arriscar a pele, sair de si.
E a gente vai arriscar a ser feliz,
Porque, afinal, a vida lá fora,
Nem é tão complicada assim!

Sobre ser sem sentido =P

Sem saber, saiu de si,
Perdeu-se no infinito com fim.
Lançou as pedras de sua sepultura,
Saiu de seu caixão despedaçado.

Sem querer, caiu em si,
Percebeu sua insignificância sem fim.
Amontoou o entulho do caminho,
E caiu em sua cova novamente.

Se soubesse tudo o que queria,
Lançaria fora as coisas banais,
Deixaria todas as angústias,
E levaria consigo somente as certezas.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Sobre um clima

Enquanto o mundo conspira suas ações,
Enquanto o tolo chora suas paixões,
O silêncio junta ao dia as emoções
E a solidão rasga pobres corações.

Num pequeno e verde sítio escondido,
enquanto a chuva chove de fininho,
numa rede na varanda, ouve passarinho,
ele sente o frio na pele, vai dormindo.

Rimas raras, preciosas em canções,
que se perdem nesse sono de verões,
perde o foco, solta a mão e só...

só... só respira... o ar limpo e
se renova... e se renova...
e o vento acorda a mata verde...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Sobre uma peça

Grita, corre, canta, acontece
Somos esperança e distintos.
Atores de um bom teatro.
E se não tá bem, melhor ficará.

Chora, pára, espera, dorme
"Plateia de nossa própria peça"
Apenas penas que se soltam
E voam... e voando vão ao vento...

E de dentro sabe, quer saber,
busca, busca, analisa, faz e refaz
pra onde? pra lá, vai! vai?
será? com quem? pra quê?

e se não der? e se sim?
faz acontecer, senão morre
em si, se não morre, em si.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Sobre uma folha em branco

Lá estava João, ao final de mais um semestre cansativo, cheio de provas e aborrecimentos, cheio de vontades frustradas e alegrias passageiras. Lá estava João, em frente a sua última prova da última matéria do último semestre da faculdade.

Quem olhasse, nesse momento, dentro dos olhos de João enxergaria um profundo abismo escuro, silencioso, vazio. Não havia vontade, nem ânimo... só o cansaço. João olhava para a prova como olharia para uma lagarta rastejando sobre um pedaço de madeira: sem nenhuma paixão, sem nenhuma expectativa em relação a qualquer coisa que tivesse a ver com a sua vida. Mais uma prova que supostamente avaliaria seus conhecimentos, mais uma prova que nada mudaria em sua vida.

E o tempo passava, enquanto João decidia por fazer ou não fazer a bendita prova.

Acontece que ele já estava aprovado na matéria. Estava ali lutando por uma nota um pouco mais alta apenas. Nada que mudaria seu currículo escolar, nada que afetaria seu senso de êxito ou fracasso pelo curso que fizera. Mas ele não conseguia se desprender da cadeira deixando tudo em branco. Mas também não conseguia escrever devido ao profundo desânimo.

Pela milésima vez pegou a prova em mãos. Virou a primeira página com as questões e deitou a folha para respostas (uma folha em branco) sobre a carteira.

Lá estava João, com uma folha completamente em branco, imaculada, à sua frente, esperando por receber a tinta da caneta que repousava em sua mão que traria todo o conhecimento e crescimento que tivera nesse último semestre.

Uma folha em branco. Completamente em branco. Onde poderiam ser escritas coisas fantásticas, histórias belíssimas, frases motivadoras, obras-primas de arte. Mas João teria que gastá-la com respostas tolas e frívolas que seriam friamente analisadas por um professor desalmado tão ou mais cansado que ele e que muito pouco ou nada estaria se importando com as respostas.

Uma folha em branco que poderia conter todo o mundo... ou nada. Só dependia de João decidir o que conteria ali. A escolha era sua e o poder de escrever estava em suas mãos apenas. As respostas estavam no livro, ele sabia exatamente onde, e elas continuariam ali. Mas a sua indignação e a vontade descomunal de fazer diferente passaria e não seria jamais lembrada.

Ele tinha uma escolha a fazer.

E ele a fez.

Na folha que outrora fora branca, hoje existe um belo poema vindo de um coração que arriscou e desafiou a razão com sua arte. A folha está emoldurada na parede do quarto de um professor...

Querido professor,
Hoje fiz uma escolha,
sem peso e sem dor.
Entre tantas opções,
entre tantas precauções,
decidi deixar de lado
a razão e o temor.

Nesta folha em que olhas
deveria haver respostas,
mas desculpe, só há prosa
em forma de versos e lições.

É que olhei para esta folha
e enxerguei a minha vida.
Vi um tanto assim de vida
e de possibilidades.
(Quanta possibilidade)

Eu as vi sendo pintadas,
por mãos livres talentosas,
Vi também belas palavras
que formavam um belo conto.

Poderiam elas conter
aventuras e canções.
Poderiam ser usadas,
ou melhor, aproveitadas
para chegar aos corações.

No entanto, professor,
há quem peça que eu as rasgue
que eu as queime, que eu as gaste
sem sentimento, e inutilmente
escreva coisas que irão
servir para ninguém.

Desculpe-me a petulância,
caro mestre e doutor,
mas hoje, aqui,
não vi uma prova.

Eu vi sim minha própria vida
Toda em branco, a ser vivida.
E provar pra mim teria
que capaz de escolher sou.
Escolher entre o que quero
e o que pedem que eu seja.

Entre tantas possibilidades
uma escolha eu tomei:
transformei a folha em branco
em uma arriscada tentativa
de mudar a minha vida
arriscando ser mais eu.

E que pena que o fiz
já aprovado e sem risco:
tudo está sob controle
nenhum mal eu me trarei.

Mas que em minha vida mesmo
eu não tema em arriscar,
eu não tema em minha folha
desenhar, escrever, enfim,
fazer a minha escolha e nada mais.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Sobre ir-se

Eu não sou daqui,
Este não é o meu lugar.
Fabricarei as minhas asas
E buscarei o meu lar.

sábado, 11 de abril de 2009

Sobre corações doridos

Pranto. Pesar do coração.
Olhares que se desviam.
Andar vacilante e sem rumo.
Que rumo?

Perda. Desolação.
Quando a noite cai: solidão.
Quando o dia vem: saudade.
Palavras? Pensamentos?

Silêncio. Silêncio.
Silencia-se o coração.
No silêncio,
a lembrança.

Das palavras que formavam.
Dos braços que agiam.
Do olhar que aliviava.
Lembrança que fortalece.

Braços que acolhem.
Braços solidários no amor.
Mas braços fracos, debilitados de dor.
Braços que esperam.

Olhares que se encontram.
Olhares miúdos, perdidos na dor.
Olhares que se aliviam.
Olhares que esperam.

Um refúgio necessário.
Braços e olhares que mais dor sentem.
Silêncio em torno dela.
Reunião de corações doridos.

Espera dolorosa.
Lembrança esperançosa:
"Se a semente não morre..."
Espera na dor. Espera.

sábado, 14 de março de 2009

Sobre brincadeiras de criança

É um pique-pega.
É um pique-bandeirinha.
Às vezes pique-esconde.
Sempre amarelinha.

É uma queimada.
É uma correria.
Coelinho sai da toca.
Corre, corre, corre cutia.

Pra vencer nesse jogo,
Não dá pra esperar,
Descanse, mas não demore,
se não perde o lugar.

Acima de tudo,
é escravo de jó, pois
na vida não vence
quem ganha só.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Sobre a sede, a água...

Tenho sede e não há o que beber.
Busco de copo em copo, de casa em casa,
ninguém se importa, não abrem a porta
e quem abre não tem nada a oferecer.

Tenho sede e penso que este é o fim.
Me canso, me perco, me afundo em águas rasas
que não saciam, nem aliviam a secura
que se instalou em mim.

Quem virá e me afastará desta dor?
A quem irei, de quem beberei?
Anseio por uma água que dê vida a este deserto.
Da qual eu beba e sinta novo vigor.

Se desta água eu beber, a quem me pedir dela eu darei,
Pois sei que, quando a encontrar, rios de agua fluirão
e banharão as terras secas e áridas de meu coração
e sede nunca mais terei, nunca mais terei.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Sobre o tamanho das coisas

Se penso no Universo
cada segundo é nada,
Que é um dia para a estrela?
Que é o sol para uma galáxia?

Se penso no homem,
se penso em sua história,
Que é um fato ante os séculos?
e um ato para a memória?

Mas se penso em minha vida,
Um segundo vira história,
Um simples ato muda o dia.

Para aquele que caminha,
um pequeno passo é coisa grande,
pois da meta o aproxima.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Sobre a sutil diferença

Em uma tarde descontente
Quando o ocaso é presente
E a saudade é amor ausente
Ouve-se dizer: a vida continua.

Mas continuar é permanecer como está
E na alvorada jubilosa que virá
A presença sobre a ausência estará.
A vida não apenas se prolongará.

Pois, o dia já não é o mesmo, é novo.
E embora seja a lua apenas lembrança,
O sol é recomeço e esperança.

Então, quando chega novamente a hora
Manifesta-se a sutil diferença na aurora:
A vida não continua, ela se renova.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Sobre um quadro

Havia um quadro.
No quadro havia uma rosa.
A rosa trazia paz, era chamativa e cativante.

O pintor olhava a rosa.
A rosa o encantava e ele a contemplava.
O pintor apenas a contemplava.


Havia, no quadro, pássaros.
E uma dona que colhia flores .
A dona não colhia a rosa.

O pintor olhava a rosa.
A rosa o encantava e ele a contemplava.
Apenas a contemplava.


No quadro havia um céu e nuvens.
Nuvens de um lado e céu aberto de outro.
Havia o sol, que iluminava a rosa.

O pintor olhava a rosa.
A rosa o encantava e ele a contemplava.
Apenas a contemplava.


Havia uma planície imensa.
Na planície a dona colhia as flores.
E os pássaros cantavam com ela.

O pintor olhava a rosa.
A rosa o encantava e ele a contemplava.
Apenas a contemplava.


Certa vez, o sol escondeu-se nas nuvens.
A rosa não estava mais iluminada.
A rosa ficara apagada.

O pintor viu-se obrigado a não olhar a rosa.
O pintor olhou a dona, os pássaros e o céu.
Atrás das nuvens percebeu o sol.

Ele sempre soube que havia um sol.
Ele sabia dos pássaros e da dona.
O pintor nunca reparara como eram belos.

O pintor não quis mais olhar o quadro.
Ver o quadro lembrava a rosa.
A rosa estava apagada.

Houve no quadro um deserto.
O deserto matou a rosa.
A dona e os pássaros foram embora.

Havia um quadro.
No quadro havia um deserto.
Havia um sol atrás das nuvens.


O sol saiu de trás das nuvens.
Havia uma rosa.
Uma rosa no meio do deserto.

O pintor voltou a olhar o quadro.
Havia a rosa e o deserto.
Havia o sol, o céu e as nuvens.

Havia um quadro.
No quadro havia uma rosa no deserto.
No deserto havia uma dona.

A dona não tinha o que colher.
A dona, com os pássaros, admirava a rosa.
A rosa era iluminada pelo sol.

O pintor voltou a olhar o quadro.
Havia a rosa, o deserto, o céu e o sol.
Havia as nuvens e a dona e os pássaros.

O pintor olhava a rosa.
A rosa o encantava e ele a contemplava.
A contemplava e aos outros.

A nuvem, o céu,
A dona e os pássaros,

Todos estavam no quadro pela rosa.

A rosa encantava.
Todos contemplavam a rosa.

A rosa estava no quadro pelo sol.

O pintor olhava o sol.
O sol dava vida ao quadro.
O pintor olhava o quadro e se alegrava.

Quem passava e olhava a dona, a nuvem, o deserto, os pássaros
Não olhava o quadro
Olhava a dona, a nuvem, o deserto, os pássaros.

Quem passava e olhava a flor
Olhava o mais bonito
Mas não podia compreender.

Quem olhava o quadro.
Achava belo e fascinante.
Só.

O pintor olhava o sol, depois olhava a rosa.
O pintor, então, olhava o deserto, a dona, os pássaros, a nuvem
O pintor compreendia e se alegrava
.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sobre o ser

Experimente dizer a um ramo
que ele nada vale,
Deixe que ele convença os demais
e não haverá mais árvore.

Experimente dizer a um ponto
que ele não faz diferença,
Deixe que ele convença outros pontos
e não haverá mais reta.

Experimente dizer a um segundo
que de tão passageiro ele é inútil,
Deixe que ele convença outros
e não haverá mais dia.

Experimente dizer a uma criança
que ela não pode,
Deixe que ela convença seus amigos
e não haverá futuro.

Experimente dizer a si
que as coisas são assim mesmo,
Deixe-se convencer
e não haverá mais vida.