Assim foi...
Estava deitado em sua cama, esperando dar a hora de se levantar. Faltavam pouco mais de dois minutos e o despertador tocaria. Estava sem sono, e sabia que não dormiria mesmo fechando os olhos. Fechou-os. O sol que entrava pela janela ainda era pouco, e, com as pálpebras cerradas, formou-se uma escuridão completa e densa.
Enquanto esperava o ruído do despertador, respirava calmamente e pensava nos próximos momentos do dia assim que se levantasse. Mas esses momentos nunca chegaram.
Esperou o toque, o despertar. Passaram-se dois minutos, mais. Quando se deu conta do tempo, pensou que dormira, mas estava bem desperto.
- Ou o despertador parou - pensou.
Abriu os olhos...
...
...
A escuridão densa não se desfez. Assustado, piscou várias vezes para tentar enxergar. Nada aconteceu, e a escuridão continuava absoluta. De repente, sentiu um solavanco no corpo e, simplesmente, deixou de sentir seu próprio peso.
- Estou flutuando... morri?
A sensação era gostosa, disso ele sabia. Era como voar, era como estar livre. Deixou-se levar pela sensação e sentiu seu corpo subir, subir, subir...
Uma luz surgiu num lugar distante. Um pequeno ponto luminoso.
- É a famosa luz no fim do túnel? É essa a paz que experimentamos ao morrer?
A luz ficou mais forte. E à medida em que se aproximava - não poderia ter noção do espaço, mas sabia que ainda estava muito longe da fonte da luz - percebia não um, mas vários pontos luminosos. O negrume que tomava conta de tudo era como um céu a noite, e as luzes eram como estrelas.
Sentiu novamente o solavanco por trás e começou a flutuar a uma velocidade extremamente grande. As luzes se aproximavam e cresciam.
Começou a se formar uma galáxia ante seus olhos e seu corpo adentrou em uma nuvem de poeira cósmica. As luzes transformaram-se em gigantescas estrelas para as quais podia olhar sem que ardessem seus olhos. Em volta das estrelas, planetas desabitados com seus satélites moviam-se rapidamente. Ao longe divisou algumas explosões em uma estrela. Viu planetas se chocando. Tudo passava num piscar de olhos, seu corpo flutuava em meio a monstruosas estrelas e imensos planetas, mas seu cérebro absorvia pouquíssimo de todas as informações. Tudo passava em milésimos de segundos.
Viu a explosão de uma estrela e tudo sendo sugado para o centro antes mesmo que a explosão terminasse. Estava em meio a um caos de luzes, movimentos...
...então se deu conta que mesmo em meio a tanto movimento tudo era silêncio. Um silêncio que nunca experimentara. Profundo.
Estava no meio do universo, em silêncio, voando acima da velocidade da luz e vislumbrando em pouquíssimos segundos toda uma história de bilhões de anos. Não sentia seu corpo, não enxergava suas mãos. Sentia-se pequeno como um átomo...
A viagem continuou por muitos minutos. Nebulosas, supernovas, cometas, planetas... tudo passava por si numa velocidade assustadora.
Parou! Ouviu uma voz: "Que é sua vida ante tudo isso?"
Acordou!
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
sábado, 11 de julho de 2009
Sobre outros olhos
Um dia na vida de alguém.
Ver o mundo pelos olhos de outro.
Ver as mesmas feições, e ter sentimentos diversos.
Sentir os mesmo gostos com prazeres contrários.
Fazer o que não se faria nos momentos de ócio.
Beijar a quem não se beijaria.
Um mesmo querer:
amar e ser amado.
Um mesmo querer:
amar e ser amado.
sábado, 27 de junho de 2009
Sobre versos
"Enquanto todo o mundo ESPERA a cura do mal
e a loucura FINGE que isso tudo é NORMAL...
eu finjo ter paciência (???)..."
"Alguém falou em FIM DO MUNDO,
o fim do mundo já PASSOU
VAMOS COMEÇAR DE NOVO?"
e a loucura FINGE que isso tudo é NORMAL...
eu finjo ter paciência (???)..."
"Alguém falou em FIM DO MUNDO,
o fim do mundo já PASSOU
VAMOS COMEÇAR DE NOVO?"
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Sobre uma peça
Grita, corre, canta, acontece
Somos esperança e distintos.
Atores de um bom teatro.
E se não tá bem, melhor ficará.
Chora, pára, espera, dorme
"Plateia de nossa própria peça"
Apenas penas que se soltam
E voam... e voando vão ao vento...
E de dentro sabe, quer saber,
busca, busca, analisa, faz e refaz
pra onde? pra lá, vai! vai?
será? com quem? pra quê?
e se não der? e se sim?
faz acontecer, senão morre
em si, se não morre, em si.
Somos esperança e distintos.
Atores de um bom teatro.
E se não tá bem, melhor ficará.
Chora, pára, espera, dorme
"Plateia de nossa própria peça"
Apenas penas que se soltam
E voam... e voando vão ao vento...
E de dentro sabe, quer saber,
busca, busca, analisa, faz e refaz
pra onde? pra lá, vai! vai?
será? com quem? pra quê?
e se não der? e se sim?
faz acontecer, senão morre
em si, se não morre, em si.
domingo, 7 de junho de 2009
terça-feira, 7 de abril de 2009
Sobre tons suaves
Ele sentia a harmonia do mundo. Era só o que lhe ocupava. Apenas respirar e sentir. Respirar e sentir. Havia algo a mais no espaço além do que se podia ver e além do que ouvidos desatentos poderiam ouvir. Ele sentia, e sabia.
Os acordes soavam fortes e perdiam-se ao longe, inaudíveis, mas ainda vivos. Sempre vivos. Vivos porque o som tão logo nasce propaga-se para sempre, perdendo-o de vista quem o tocou. O som nasceu para o infinito e só no infinito ele pode ser sentido.
Ele sentia a harmonia e ela o fazia viver. Ele vivia para ouvir, ele ouvia pra viver. A música dizia que tudo é harmonia, mas que algumas notas às vezes saem distorcidas e que grandes árias são tocadas para ouvintes despreparados.
A música cantava-se e pedia para não ser ouvida somente, mas ser sentida, ser querida e repetida. "Só se vê bem com o coração". E o coração contém a alma da música, do som e da vida. E a música da alma é o amor.
terça-feira, 24 de março de 2009
Sobre novos horizontes?
Fecham-se os olhos, ao fim de mais uma jornada.
As luzes apagam e acendem
Com os pés descalços, calejados, o homem esquece-se de si, esquece-se de ser. Caminha, buscando no horizonte escolhido um manancial invisível (alcançável?), escondido por trás do tempo, dos muros, das incertezas.
Entre vírgulas, as palavras calam. Entre pontos, entretantos, entrelaçam-se e compõem uma nova visão, uma nova rota: imprevista, imprevisível, imprecisa e talvez deserta (que dor! que medo!), mas ao mesmo tempo chamativa, apetecível, encantadora, apaixonante, penetrante.
Sobrevêem as reticências. Apertam, esmagam, até doem, e, enquanto perpetuam-se os pontos, fecham-se os olhos, e ao abrirem primeiro reparam se o caminho ainda está lá.
E se estiver (alegria! coragem!), lá se vai o andarilho...
ou não...
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