segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Sobre despreocupar-se
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Sobre ser dia
de eu me acontecer.
passo horas, passo dias,
passos dou, pássaro sou.
se me acordo, a cor dou,
e pinto os meus minutos,
desenho-me onde vou.
escrevo meu destino,
selo minhas cartas,
que vivo para quem serei.
serei pássaro? serei peixe?
só não me importa o que terei.
entardeço-me, ocasiono-me,
acontece-me de me acontecerem.
caio, e não me levanto, mas aproveito.
vejo, caído, estrelas que nascem,
brilham sorrisos, que notícias trazem?
brilham, e é tudo o que fazem.
isso lhes basta, e se bastam.
anoiteço-me, adormeço-me,
pinto meus sonhos,
sonho roteiros,
canto com grilos,
fujo labirintos,
corro e não saio,
saio voando.
meus sonhos mais loucos,
ser louco nos sonhos.
sou louco? só sonho.
louco se não sonho,
louco se não sonho,
louco, louco, louco.
esclareço-me, amanheço-me.
auroro e irradio-me,
respiro sereno,
resgato orvalhos,
rego meus planos,
enxáguo minhas lágrimas,
vivo.
vivo louco
só por isso sou
vivo.
vivo louco
e só por isso sou.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Sobre um menino e um capitão
O capitão levantou com a aurora amanhecendo no horizonte. Caminhando pela areia lentamente, espreguiçando-se, apenas meio acordado, contemplou o imenso mar azul pelo qual deveria navegar. Seus olhos lacrimejaram. Seu coração ardia, batendo
Tudo era movimento. Tudo era som. Tudo era pressa. E tudo contrastava com a maravilhosa calmaria do mar, com o doce som das ondas a bater nos rochedos nus, com a harmonia do gigante que ora dormia sereno, ora roncava alto, qual cão de guarda atento aos perigos da rua. O capitão amava o mar, e gostava de imaginá-lo assim, como um gigante adormecido.
As horas passaram despercebidas. A manhã se foi sem que o capitão sequer saísse de seu posto ou falasse uma palavra. Os marinheiros o conheciam suficientemente bem para saber que não deveriam se intrometer naquela solenidade: o capitão olhava o mar, um pouco de cada vez, ouvia-o, sentia-o, deixava-se tomar conta pelos mistérios contidos em toda sua imensidão, pulsava com o mar, era um com o mar; e o mar, em retribuição, lhe lançava afagos e canções, contava-lhe histórias, tocava-lhe o coração e lhe deixava claro, claro como o céu mais limpo de nuvens, que ele, o mar, jamais poderia ser abarcado, jamais. Tudo isso acontecia sem que precisassem se tocar, como num ritual em que o divino e o humano se compartilham, sem que o divino desça ou o humano transcenda. Mas o ritual nada mais é que uma primeira porta de entrada, e dessa solenidade entre capitão e mar sempre nascia o contato íntimo do adentrar-se. Todos já sabiam, então, que o capitão partiria em mais uma viagem.
A tarde caía, o céu azul-laranja escurecia e o porto ia dormindo lentamente. Pôde-se ouvir novamente o som do marulhar, e apenas ele. Gaivotas voavam ao longe alheias ao mundo dos homens. Levantavam vôo alto e desciam em rasantes sobre o mar para se alimentarem. Tocavam leve e brevemente as águas e arremessavam-se novamente ao escuro azul do céu. O capitão acompanhava essa dança e, inevitavelmente, deitava seu olhar sobre o horizonte.
- Sabe, menino – disse, sem desviar o olhar fixo no horizonte, ao garoto que por horas estava sentado no banco, observando-o, fascinado.
O garoto se levantou de um salto, como se tivesse sido acordado de um pesadelo horrível. Estava atento e sem dizer uma palavra demonstrou todo interesse em ouvir as palavras que se seguiriam.
- ... há quem diga – continuou o capitão – que o céu e a terra se encontram na linha do horizonte. O que você acha disso?
- A... acho que... que se a gente se aproxima do horizonte, o céu e a terra só se tocam mais na frente. Sempre é mais na frente, não é?
Os dois se entreolharam. Quieto, o capitão pareceu voltar ao estado inerte daquele dia. Estava refletindo sobre as palavras do pequeno.
- É sempre mais a frente. Você me surpreendeu, sabia?
O silêncio reinou por minutos. Ambos olhavam para o mar, para o horizonte distante que jamais poderia ser alcançado.
- Eu costumava acreditar – começou o capitão, interrompendo o silêncio – que o céu e a terra se encontravam não no horizonte, mas no coração dos homens. Com suas palavras, agora, penso que talvez eles nunca cheguem a se tocar, por que sempre há mais de céu a buscar e mais de terra a se deixar.
- Capitão, será que um dia eu serei um marinheiro tão famoso quanto o senhor? – o garoto perguntou sem respirar, como se segurasse a pergunta há muito tempo.
- Famoso é o mar, pequeno. Nós, marinheiros, apenas o fazemos ser conhecido. O marinheiro que se preocupa com famas e glórias deixa de lado o mais importante dessa profissão: conhecer o mar e conhecer-se a si mesmo ao navegar.
O garoto sorriu largamente. De alguma forma aquelas palavras lhe tocavam o coração e lhe indicavam um caminho excelente a ser seguido, um percurso que valeria a pena ser percorrido.
- Eu quero me conhecer, capitão. E quero conhecer o mar.
- Esse é um belo sonho. Um sonho que vale a pena ser sonhado por que nunca será suficientemente alcançado.
Deixaram-se calar pelo resto do dia até se despedirem silenciosamente. Enquanto o menino voltava para casa equilibrando-se em meio-fios, o capitão se dirigiu a seu barco, sua casa, onde passaria a última noite próximo à terra. A lua, que até então iluminava a orla, escondeu-se por trás das nuvens, escurecendo os sonhos do capitão.
******
No dia seguinte, as nuvens decidiram não mostrar o sol. O vento gelado arriscava-se entre as ruelas e cortava as faces corajosas que saíam de casa cedo. Não eram muitos os corajosos a enfrentar o frio, somente os mais curiosos. Queriam ver o capitão e sua despedida. Era quase como um teatro ou uma dança: o capitão preparava algumas palavras de despedida para a terra, sussurrava palavras inauditas de boas vindas ao mar. Levantava velas, içava âncora, tudo em movimentos belos e serenos e comoventes. Aqueles que assistiam à quase celebração voltavam para casa um pouco mais calmos, um pouco mais íntimos da natureza e seus mistérios, um pouco mais próximos do transcendente que se deixava tocar durante aqueles breves minutos.
Entre a multidão que se adensava, estava ali um pequeno garoto, nariz escorrendo, pescoço coberto por um grande cachecol que quase o afogava. Depois de observar o capitão à distância, aproximou-se do navio e sem hesitar subiu as escadas para dentro. Admirou tudo ao seu redor. Sorriu sozinho. Sonhou para dentro.
- O senhor pode me levar consigo? – perguntou sem olhar para o capitão, ainda admirando tudo o que via.
- Fala comigo ou com o mar? – respondeu o capitão, igualmente sem olhar para o capitão.
- Com o senhor... eu acho.
- Não posso te levar. Não sei para onde vou.
- Não me importo, gostaria de ir mesmo assim.
- Não posso te levar, pois provavelmente eu não voltarei.
O garoto abriu a boca para responder prontamente, mas um fio de medo e responsabilidade perpassou sua mente antes que pudesse pronunciar qualquer palavra. Deve ter pensado em seus pais, sua casa, seus amigos. Tinha o sonho de desbravar o oceano, mas... havia tantas implicações. Antes que pudesse responder, calou-se. Acho até que se entristeceu. Silenciado, permaneceu admirando, mas agora era um admirador distante, alguém que acha belo e só, sem querer possuir.
- Acho que não vou, então. Ainda tenho algumas coisas para fazer por aqui – disse com voz inocente.
O capitão sorriu e olhou carinhosamente para o garoto. Reconheceu nele a criança que fora um dia. Imaginou quanto de vida poderia ensinar a ele.
- Ainda há muitas coisas a serem feitas, não tenho dúvida. Quando elas estiverem prontas e você não tiver mais com o que se preocupar e se nos encontrarmos por aí... – calou-se. Não espere que não haja mais nada a ser feito. Quando achar que é hora de seguir viagem, vá.
- Certo. Eu acho.
- Você sabe qual a maior invenção da humanidade, garoto? – o capitão continuou andando pelo navio, arrumando algumas poucas coisas. De onde estava, tinha que gritar para se fazer ouvir.
- Não – o garoto gritou de volta.
- É o sonho – ouviu como resposta o capitão gritar. – O sonho é a maior invenção da humanidade. Foi quando começamos a sonhar que passamos a saber o que queríamos no mais íntimo de nosso ser. O sonho pode ser transformador e encorajador, mas também pode ser uma grande prisão se não houver algo muito importante dentro de nós.
Fez-se silêncio enquanto o capitão voltava para próximo do garoto. Abaixou-se para ficar da sua altura e, com as mãos em seus ombros, olhou firme para o pequeno e continuou o seu sermão:
- Ousadia! É preciso haver ousadia para que um sonho não se torne uma prisão. Vê, o tempo hoje não é o melhor para se navegar. Virá uma grande chuva que me dará muito trabalho. O mar não está calmo, as condições são adversas. Eu posso ficar sonhando em seguir viagem por conta disso tudo ou posso ousar e realizar o sonho de partir.
- Você já foi ao mar muitas vezes. É mais fácil ousar assim, não é?
- Talvez. Mas eu não diria que já fui ao mar muitas vezes. Um verdadeiro marinheiro só vai ao mar uma única vez e de lá ele nunca volta. Ele apenas faz pequenas pausas em terra firme. E apenas quando precisa. A sua vida é o mar.
Os dois ficaram se olhando longamente até que o capitão decidiu que era hora de partir. Levantou-se e se despediu do menino bagunçando-lhe os cabelos. O garoto desceu do barco a contragosto, mas já estava suficientemente transbordando de emoções para continuar ali. Olhou o capitão sussurrar suas últimas palavras para o mar, imaginando que, de tudo o que já ouvira em sua vida, nada se comparava àquelas palavras. Deveriam ser belas e poéticas e encantadoras. Tão logo o capitão terminou de sussurrar, chamou a bordo a tripulação que aguardava
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Sobre pontes
- Quer dizer que a vida dá muitas voltas e pode ser que um dia a gente volte a ficar junto?
- Foi o que acabei de dizer – ela disse, mordendo os lábios e torcendo a boca como quem não sabe se agradou.
E não agradou, mas o seu jeito, seu olhar, e a esperança... dizer o que ela disse era sentenciar que uma porta continuaria aberta. Havia a esperança de... um dia. Não seriam apenas amigos, seriam amigos que um dia, se a vida der voltas, podem voltar a ficar juntos. Isso lhe parecia suficiente, embora fosse difícil. Preferia um ‘não’ curto e grosso e seguir em frente a se ver agarrado a uma possibilidade remota. Mas nem tudo é como a gente quer, nem tudo é como a gente quer.
- Está bem. Se você pensa que assim é melhor, então...
- Eu penso que assim é o único jeito – ela interrompeu, fechando os olhos e abaixando a cabeça. – Por que agora não dá. Agora não.
Deixaram o silêncio tomar conta da conversa. Um rebuliço de sensações e lembranças invadiu seus corações. Não podiam trocar olhares e não podiam trocar palavra. Tudo estava terminado, sem ao menos ter começado direito. Padeceram silenciados, deixando que a distância crescesse naturalmente entre eles. Não queriam participar do processo de separação, então apenas deixaram ruírem sozinhas as pedras da ponte que haviam construído juntos. E elas foram ruindo, uma a uma, caindo pesadamente sobre o rio do sentimento, fazendo jorrar gotas e gotas de águas frias que gelavam a alma tão logo tocavam o chão. Os minutos se passaram e, no silêncio, tudo se desfez. E a ponte caiu por completo assim que a garota rompeu a solenidade do silêncio, dando um frio ‘boa noite’ e deixando a cadeira arrastar ruidosamente atrás de si para sair.
Ele permaneceu quieto, olhando para o nada, sem responder, desejando que as próximas horas apenas voassem com o vento. Ficou sentado por muitos minutos, tentando absorver toda a conversa, imaginando o quanto poderia ter falado, e, mais importante, o quanto deveria ter calado, escutado e compreendido.
Por fim, levantou-se e seguiu seu rumo para casa, ainda pensativo, pés pesados. No caminho, uma ponte destruída lhe chamou a atenção. Sob a ponte, por onde já não se podia andar, pedras meio afundadas, permaneciam meio para fora. “Algum aventureiro poderia tentar passar por elas, uma por uma, saltando, até chegar ao outro lado”, sorriu, sentindo a esperança brotar e reacender-lhe o brilho dos olhos.
Foi quando reparou que, um pouco mais adiante, havia uma outra ponte construída para cumprir o mesmo papel daquela que ruíra.
E sobre a ponte havia uma garota.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Votos de Natal
Dizem tudo isso, e dizem muito mais.
Eu, aqui, tenho minhas dúvidas. Deus não é mágico para fazer magia. Ninguém sabia ainda que o menino nascera, que paz haveria de ter nos corações? Ou que soberba seria desfeita, assim, tão de repente? Demora-se tanto para mudar um coração. Deus bem o sabe. Além disso, animais não foram feitos para cantar. Nem mesmo entender o que se passava eles entendiam. Esperança e fé não têm cheiro, e paz e amor não dá em clima, como chuva de verão que vem e passa. Jesus passou tantos anos falando dessa paz e desse amor, e muito ele teve que falar e fazer para alguém entender um pouco que fosse.
De Maria, José, os reis e os pastores eu até posso crer, e do silêncio profundo que pairou sobre a gruta também. Nesse silêncio eu acredito. Esse silêncio de contemplação do mistério de quem olha sem entender. Silêncio de Maria, de guardar as coisas no coração e medita-las anos a fio, como merecem ser meditadas as coisas grandes, ou melhor, as coisas importantes, que podem ser grandes, ou não. Esse silêncio de desfrutar, de saborear o momento presente sabendo que se está onde se deve estar e que olhar e esperar é a única coisa a se fazer por agora. Esse silêncio que não é passividade, mas pacificação do coração. Que não é fim, mas é processo de tornar tudo mais claro, ainda que continue sempre tão obscuro, pois Deus e seus desígnios não podem nunca ser plenamente compreendidos. Silêncio de aceitação de que não vamos entender. Silêncio de espera e esperança de que mesmo não entendendo, sabemos que nos planos de Deus cada coisa tem o seu lugar e que na hora necessária, com muito zelo e carinho dEle, tudo tomará o seu lugar. Aquele silêncio de aluno que toma nota, que aprende e que olha atentamente para não perder nenhum detalhe da lição. Silêncio de quem aprende a lição mais importante de todas: desfazer-se de si para refazer o outro. Ou, em uma palavra: amar. Amar, que é verbo, ação, movimento.
E daí, desse silêncio, brotou então na gruta a paz, a esperança, o amor, a fé, o gozo e os sorrisos. Ah! Que belos sorrisos deveriam ser. Os mais belos. Os mais belos.
Ó Árvore do Silêncio, enraizada no solo do coração, nessa noite de Natal, permita-nos subir em seu tronco e apanhar em sua copa exuberante teus frutos saborosos, teus preciosos frutos. Permita que nos alimentemos de ti por um minuto que seja, ou mais. E então, e só então, poderemos desvendar, um pouco que seja, o grande mistério do Natal.
Feliz Silêncio! Feliz Natal!
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Sobre calma
Rodrigo desceu correndo as escadas do prédio, sem paciência para esperar o elevador. Saiu pela portaria esbarrando no síndico sem pedir desculpas. Entrou em seu carro e começou a dirigir nervosamente para lugar algum. Pensava e repensava. Ponderava todas as coisas que vira e ouvira. Não conseguia ordenar os pensamentos, não conseguia retomar a calma e tranqüilidade que lhe eram tão particulares. Respirava e inspirava profundamente na esperança de se acalmar, mas nada resolvia.
Se ele não podia se acalmar sozinho, precisaria de algo que lhe ajudasse. Reconduziu o carro para o Parque da Cidade, onde poderia buscar um local isolado e silenciado, para isolar-se e silenciar-se. Silenciar-se, exterior e interiormente, era do que precisava. Saíra correndo de casa para não tomar nenhuma atitude drástica, pois sabia que nas horas de nervosismo e frustração era capaz de fazer grandes besteiras. Nesses momentos, era preciso retomar a paz do coração antes de fazer qualquer coisa.
Chegou ao parque e estacionou o carro embaixo de uma mangueira carregada de mangas meio verdes, meio maduras. O céu nublado prenunciava uma possível chuva de verão, rápida e passageira. Desceu do carro sem o guarda-chuva esperando que de fato chovesse e ele pudesse refrescar o corpo e as ideias no silêncio sagrado das águas caindo. Poucas pessoas caminhavam naquele dia, Brasília já estava de férias e muitos já haviam viajado para encontrar suas famílias em outras cidades ou apenas passar as festas de fim de ano em outro lugar. Rodrigo observava a pouca movimentação e caminhava lentamente com pensamentos soltos ao vento. Passou por algumas senhoras que conversavam alto; um senhor de idade com físico invejável e fôlego de jovem; crianças pedalando velozmente e garotas conversando sobre qualquer futilidade. A vida seguia normalmente. O mundo era indiferente à sua angústia.
“Louco”, pensou, “talvez eu seja o louco”. Continuou procurando o lugar isolado que desejava. Encontrou-o perto do laguinho, num pequeno bosque com árvores altas. Desejou subir em uma delas, e foi o que fez. Como criança que descobre o mundo vivendo aventuras sempre novas, subiu de galho em galho até uma altura de seis ou sete metros, não sabia ao certo. Lembrou-se da infância, do quanto o mundo era simples, do quanto a vida era boa e sem complicações. Deixou-se deitar em um galho maior e arriscou encostar a cabeça e fechar os olhos. Uma pequena vertigem e tontura o atingiram, mas ele sabia que o mundo só girava em sua cabeça. E como o mundo girava em sua cabeça! Girava rápido.
Conteve-se. Não abriu os olhos e, enquanto a vertigem crescia e crescia, começou a cantar uma música para acalmar-se. Cantava baixo somente para si e ouvia sua voz rouca e engasgada saindo da garganta guturalmente. A canção embalou um sono, o sono transformou-se em sonho e no sonho ele voava, e voando encontrava as nuvens, que não eram feitas de algodão, mas de uma névoa rala e fresca que se dissolvia tão logo ele passava a mão sobre ela. Quando respirava, o ar gelado incendiava-lhe todo o pulmão e do pulmão todo o sangue. Sentia-se interiormente vivo. Sentia seu interior e percebia que era muito mais do que aquilo que lhe acontecia exteriormente.
E, nunca soube como, acordou em pé, na porta de sua casa, de coração aberto e aliviado, pronto para refazer os laços que se perderam.
sábado, 17 de dezembro de 2011
Sobre mudanças
E saiu. E tudo passou a ser novo, como ela jamais imaginara. E, sem saber o que fazer ou para onde ir, começou a reinventar-se.