segunda-feira, 13 de junho de 2011

Sobre quem eu sou II

Às vezes, eu não me contenho em mim.
Sou profundo, sou abismo, escuridão sem fim.

Daí, me exploro e me busco em meu recanto.
E se me acho, me encanto e me espanto.

Quem sou eu? eu grito e o eco ecoa.:
Quem sou eu? ouço na volta o som que soa.

E descubro: nem eu sei na verdade quem eu sou.
Volto a me conter em mim e pro raso vou.

Sobre quem eu sou...

Sou um sonhador,
um apaixonado.
Sou um romântico enjaulado.
Um louco desvairado.

Sem jeito, às vezes me retraio.
Me sequestro, me amordaço,
Me tranco no porta-malas,
E me aflijo, e me apago.

Mas quando me libertam,
Ah! Quando me liberto!
Sou fogo que incendeia,
Alma insatisfeita.

Uma força da natureza
Que não se contém.
E, então,
me alastro...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Sobre coisas que devo fazer antes de morrer

E agora? Via-me em uma estrada bifurcada, sem saber que direção tomar. Haveria um rumo certo? A decisão correta existiria? Ou seria o universo indiferente à minha escolha? Muito provavelmente. Por hora, pensava que estava com uma dúvida cruel. Não. "Cruel", pensei melhor, "é ter que decidir se rouba para matar a fome dos filhos, ou se continua sem ter um pedaço de pão para colocar na mesa".

A minha dúvida era simples. Na verdade, era extremamente egoísta e simplória. Ainda assim, era uma dúvida séria. Isso: séria.

Desculpem-me se fiz muito mistério sobre a dúvida, em breve verão que não é grande coisa, mas ela me afetou durante uns dias, e, de certa forma, definiu os rumos de parte da minha vida. Vejam bem, eu estava entrando em um novo emprego e tinha que decidir entre trabalhar 30 horas ou 40 horas semanais. Simples, não? Nada cruel.

Eu sei, mas naquele momento de vida que eu estava vivendo, era uma decisão que poderia mudar os rumos de muita coisa no meu modo de levar os dias. Sabe, não era sobre trabalhar menos ou ganhar mais. Não era sobre ter tempo ou ter dinheiro. Era sobre planos, sonhos, metas, desejos.

Explico. Trabalhar 30 horas significava ter tardes ou manhãs livres para escrever. Na época, escrever um livro, uma história de sucesso, um épico como "O Senhor dos Anéis", ou uma história de uma geração inteira como "Harry Potter" era o meu maior desejo. O meu maior problema, em contrapartida, era não ter tempo para me dedicar a isso. Trabalhar 40 horas, por sua vez, me renderia mais dinheiro. Mas não era o dinheiro. Não, não era o dinheiro.

Nunca gostei de dinheiro. Digo, nunca gostei de ter dinheiro. Mas sempre gostei de gastá-lo. Não que eu fosse fútil. Não gostava de futilidades. Eu gostava era de viagens. Ter mais dinheiro, portanto, significava viajar mais.

E era com essa dúvida que eu me encontrava. Viajar ou escrever? Escrever ou viajar? Veja bem, estava pensando com imediatismo mesmo. Podia escrever um livro anos depois. Podia viajar quando tivesse filhos ou quando estivesse aposentado. Mas eu estava pensando no agora. Imediato. Daí a um ano ou dois.

Não importa o que eu decidi. Importa que enquanto estava com essa dúvida, me imaginei viajando para vários lugares. Imaginei meus livros escritos na estante. Ouvia Jack Johnson e me imaginava surfando em uma praia paradisíaca! Ah, como eu tinha vontade de surfar.

Surfar???

Eu nunca tivera vontade de surfar, mas, agora, parecia-me tão claro que eu precisava surfar na próxima vez que voltasse à praia. E, claro, para isso, precisaria de uma grana extra. Tá aí. Surfar. Isso definitivamente era algo que eu tinha que fazer antes de morrer. Assim como escrever um livro. Eu precisava escrever um livro antes de morrer. E surfar. E visitar a cidade de Assis. E ler muitos e muitos livros e ter uma noite de autógrafos e dar uma entrevista em um talkshow. E fazer snowboard e paraquedismo...

Cara! Eu precisava escrever uma lista de coisas a fazer antes de morrer! Mas tudo me parecia tão urgente!!! Pensava em tudo que queria, mas queria tudo para agora!

É! Eu precisava escrever uma lista de coisas que deveria fazer antes de morrer, e precisava realizá-las antes do 30 anos.

Então... tenho 6 anos até lá!!!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Sobre Celebrar e Se Lembrar

É tempo de CELEBRAR!!!

Tempo de CELEBRAR a felicidade,

Tempo de CELEBRAR a reconciliação,

Tempo de CELEBRAR os bons sentimentos que brotam em nossos corações,

Tempo de CELEBRAR a esperança,

Tempo de CELEBRAR a amizade,

Tempo de CELEBRAR a paz,

Tempo de CELEBRAR as boas ações,

Tempo de CELEBRAR a vontade de sermos mais humanos,

Tempo de CELEBRAR os sonhos,

Tempo de CELEBRAR a vinda do Menino Jesus.

Mas também é tempo de SE LEMBRAR!!!

Tempo de SE LEMBRAR que a felicidade é construída com pequenos gestos, diariamente, para que não se desgastem as relações que temos com os que vivem mais próximos a nós.

Tempo de SE LEMBRAR que não é preciso esperar um ano inteiro de rixas e rivalidades para se pedir perdão apenas no Natal,

Tempo de SE LEMBRAR que um mundo novo não se faz apenas com bons sentimentos, mas com ações firmes, constantes e perseverantes,

Tempo de SE LEMBRAR que esperança é pôr a mão na massa e acreditar que suas obras darão frutos, em vez de sentar pacientemente acreditando que alguém fará alguma coisa,

Tempo de SE LEMBRAR que o consumismo exacerbado é uma forma de construirmos tesouros para nós, mas que os verdadeiros tesouros não são feitos de ouro ou prata, mas são feitos de carne e osso, daqueles corações que, tendo nos cativado, chamamos de família e amigos,

Tempo de SE LEMBRAR que a Paz se edifica na justiça, e é fruto de uma sociedade satisfeita consigo e com os outros, e que, portanto, essa paz só pode advir de pessoas saciadas de um verdadeiro amor,

Tempo de SE LEMBRAR que o dia-a-dia está repleto de oportunidades para fazermos o bem, e o fazermos bem, e que é mesquinhez e pobreza de coração deixar para fazê-lo no final do ano, pois o bem deve perpassar cada minuto de nossas vidas,

Tempo de SE LEMBRAR que a vontade só é eficaz quando há liberdade, e que, por isso, devemos nos libertar dos vícios e medos que nos afligem para que possamos ser mais humanos,

Tempo de SE LEMBRAR que sonhos são a matéria-prima de corações que amam, mas são menos que pó se não se materializarem por meio de mãos que trabalham,

É tempo de SE LEMBRAR que não basta dizer “Vem, Senhor Jesus”, é preciso viver consciente de que Ele já veio e está entre nós, e que, se deixarmos ele fazer morada em nossas vidas, todo dia será

NATAL

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Confissões de uma mente rabugenta

GENTE!!! TUDO O QUE ESTÁ ESCRITO AQUI NESSE POST É BRINCADEIRA!!! hehehe =P
EU NÃO PENSO ASSIM!!! E, PRA QUEM NÃO SABE, ESTE ANO TIVE O MELHOR ANIVERSÁRIO DA MINHA VIDA!!! =D

Sério, todo ano é a mesma coisa.

Você faz promessas de alcançar objetivos inatingíveis, se propõe a ser uma pessoa melhor (como se isso fizesse diferença na vida de mais alguém que não só a sua), promete ser uma pessoa mais madura e mais vivida para o ano seguinte e aquele monte de outras coisas lá. 365 dias depois você percebe que não fez metade disso tudo - mais por sequer se lembrar do que prometeu do que por não conseguir realizar - e promete que: "Ah, esse ano vai ser diferente, estou mais maduro, mais decidido, tenho mais dinheiro, mais tempo". Aham, Cláudia, senta lá!

E não são só as promessas e os propósitos o problema, todo o clima que se forma nesse época do ano é propícia para uma encheção de saco tão grande, mas tão grande que faria inveja em Papai Noel.

Não, não tô falando de "ano novo, vida nova". Ainda não é sobre o ano novo. Eu tô falando de aniversário. É! Todo ano é a mesma coisa. E eu odeio muito tudo o que acontece.

Vamos começar pelo mais óbvio. Pensa: você está prestes a ficar mais velho, a acrescentar uma unidade (às vezes uma dezena) à sua idade, e ainda é obrigado a comemorar, festejar, como se tudo estivesse indo muito bem. Não, não está bem. Eu odeio ter que comemorar. Eu estou mais velho, os anos dourados da minha juventude estão passando, melhor, escorrendo pelas minhas mãos como água e eu, que nem sei se estou aproveitando toda essa riqueza, sou obrigado a agradecer por me aproximar inexoravelmente de um trágico fim temido por todos, quisto por ninguém! E ainda tenho que sorrir. Daqui a pouco serei um velho rabugento e reclamão usando chafões do tipo: "No meu tempo", "quando eu era jovem". Daqui a pouco, terão se passado os fins de semana em que eu saía com meus amigos e badalava até não poder mais, chegando junto das cocotinhas e fazendo sucesso nas quebradas. Vão-se os anos, ficam as rugas.

Outra coisa que odeio é aquela titia que não te vê faz tempo. Ai ai... "Oi titia, eu sei que estou maior do que há 10 anos atrás, quando você me viu pela última vez. Sim, titia, você se lembra que me pegou no colo e tudo o mais, o que só comprova duas coisas: 1- eu sou um ser humano normal que cresce como todos os outros, 2- você é velha! E não, eu não tomei chá de bambu ou coisa que o valha". Silêncio... ela lhe entraga um pacote embrulhado de presente. "Ao menos isso", você pensa. E quando abre, diz: "Oh titia, obrigado pelas meias e cuecas, eu estava mesmo precisando".

Hoje em dia tem gente dizendo que não está 1 ano mais velho, está um ano mais novo que ano que vem. Bom dia, amiguinho, ano passado você estava 2 anos mais novo que o ano que vem. O que dá na mesma. Matemática básica.

E a preparação, hein? Uma semana antes do aniversário sempre tem aquele velho amigo que pergunta: "E a comemoração? Vai ser quando e onde?". Oi, deixa eu te contar, eu já enviei por e-mail, tá? Se você não recebeu é por que não foi convidado. Mas você não diz isso. Sorri, coça a cabeça pra disfarçar e diz: "É, assim que eu decidir eu aviso". Chega em casa, abre o e-mail e convida o chato logo. Tem também aqueles que querem fazer o aniversário por você: "Marca numa pizzaria, avisa que é 19h30, mas chega às 19h pra reservar o local. Quer que eu mande e-mail pra todo mundo? Chamou o pessoal da faculdade? E do trabalho? Quer ajuda com alguma coisa? Posso te levar de carro pra você poder beber...". E intermináveis sugestões que terminam dando vontade a passar o dia em casa, longe de tudo e todos.

Enfim, cada ano que passa são comemorações acumuladas. É inevitável também comparar a desse ano com a do ano passado. "Eita, tem bem menos gente. Eu estou ficando chato, rabugento e afastando as pessoas, ou será que estou sendo mais seletivo, tendo só bons amigos, em vez de vários amigos?" No meu caso, é aparente que estou sendo mais seletivo, mas de qualquer forma, a comparação acontece e temo a chegada dos dias em que me tornarei chato e ranzinza. E esses dias, por mais que tardem, hão de chegar. Sei que hão.

E o pior é ter que aguentar as piadas desse ano, por causa de meus 24 anos. ¬¬

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Sobre a morte e a vida

Quando chegou, uma folha seca desprendeu-se de um galho, desceu calma do alto em uma dança ao mesmo tempo lúgubre e bela. Rodopiava ao vento, lentamente, fazendo curvas, idas e vindas, voltas e revoltas, até pousar aos seus pés. Enquanto ele observava a exibição graciosa da natureza, pensava sobre a morte e a vida. Velórios sempre o faziam pensar. Poucas vezes se entristecera de verdade, mas sempre saía reflexivo, e até mesmo disposto. Disposto a viver a vida de uma forma nova, mais vivida e menos arrastada.

Entrou na capela e deparou-se com o corpo velado. A família em volta do pai, irmão, marido... todos choravam um pranto inconsolado, mas permaneciam firmes, com uma certeza estampada no rosto que só os que confiam podem ter. O choro era saudade, o choro era vazio, mas de forma alguma desespero. Encontrou os familiares, deu um abraço apertado e disse poucas palavras que para ele pareciam sem sentido naquele momento. Nessas horas, as palavras sempre sobravam.

Encontrou um canto meio vazio, meio escondido onde ficar. Estava só, entre amigos e família do falecido, mas não via nenhum conhecido presente. Permaneceu ali, observando, esperando o triste e necessário rito de despedida de um corpo já sem vida, imóvel. Era necessário despedir-se. Os últimos momentos em que os olhos veriam o rosto antes tão presente em suas vidas, mas que agora nunca mais seria visto. E nunca mais, pensou, é muito tempo!

Ouvia algumas conversas soltas ao seu redor:

- Como eu odeio velórios - disse uma senhora bem apessoada à sua direita, para o homem que deveria ser seu esposo. - É tão triste, nos faz pensar em coisas tão ruins.

O senhor ao lado apenas meneou a cabeça afirmativamente, enxugando os olhos da senhora com um lenço branco.

Ele já sabia disso. As pessoas, de forma geral, odeiam ter que partilhar a dor e, principalmente, senti-la. Mas, estranhamente, achava que esses momentos traziam muitos aprendizados. O problema das pessoas com velórios é que eles as obrigam a pensar na vida. E isso era algo muito sério. Pensar na vida exige de nós uma força e uma ousadia que teimamos em manter reprimidas e desacordadas. Pensar na vida e na morte exige de nós a coragem da mudança. Acontece que o ser humano vive com medo. É o medo de não dar conta, de lutar anos e anos por algo que talvez não alcance. Então, busca o caminho mais fácil. O caminho das coisas certas, que lhe proverão de certa felicidade e comodismo. Daí, para aliviar sua consciência de não estar enfrentando os desafios por conta de medos, afoga-se numa rotina desesperada, sem parar, sem refletir ou avaliar-se. E o medo esconde-se debaixo do tapete... escondido, invisível, mas ainda presente.

Então, a morte de alguém lhe coloca diante de outra questão. Não é mais o medo de não conseguir, de lutar e morrer na praia. A morte, o velório, confronta-o com o medo de morrer sem fazer da vida algo que valha a pena. E, necessariamente, a morte de alguém lhe dá o tempo necessário - uma tarde que seja, uma madrugada - para pensar no assunto. E tudo o que se quer é que aquilo acabe, as exéquias sejam ditas, o corpo enterrado, e com ele todos os pensamentos que tiram a paz placebo que a rotina entediante dá ao coração. Enfrentar seus próprios medos, eis o maior medo dos homens, eis do que eles fogem dia e noite...

Em outro canto, enquanto pensava todas essas coisas, havia um padre conversando com a esposa. Ele a consolava com palavras catequéticas, teológicas. Palavras que encontravam o racional facilmente, mas que teriam que enfrentar uma longa jornada até chegar ao coração.

- Ele agora está no descanso eterno. Lembre-se que a tristeza da perda é nossa. Ele está bem, e não poderia estar melhor.

Alguma coisa naquelas palavras estranhamente tocou fundo no seu ser. Ele já não ouvia a conversa ou sequer se dava conta de onde estava. Pensar na possibilidade de um descanso eterno fez com que saísse de si e se imaginasse em um paraíso onde apenas descansasse. Ele pensou que talvez isso fosse por demais entediante. O paraíso não deveria ser assim... Um eterno descanso. Mas, então, pensou nas tantas vezes em que se sentira esgotado, completamente sem forças para continuar em pé, resistindo bravamente para levantar-se num dia após o outro e outro...

Pensou que poderia existir esse descanso eterno. E pensou que gostaria muito de vivê-lo, mas apenas se chegasse cansado, exausto, consumido. Consumido... essa era a palavra. Decidiu que queria consumir-se até a última gota de suor, até o último pingo de sangue, buscando seus ideais, colocando em prática seus projetos, estando onde precisassem dele, esquecendo completamente de si e doando-se a todos. Imaginou que se conseguisse consumir assim a sua vida, desgastando-se em absoluto, um descanso eterno seria uma experiência mais que merecida.

E confrontou o medo de viver com a vontade de se entregar inteiramente a algo que valha a pena. Olhou para as pessoas a sua volta e, de repente, sentiu-se extremamente só em seus pensamentos. Por que ia tão longe nessas reflexões? De que lhe adiantavam? Não poderia simplesmente viver sem questionar-se?

Enquanto o corpo era levado à sepultura, com os vivos em procissão, pensou: "Tenho sempre que fazer uma escolha: encarar de frente, na solidão, o profundo que há em mim, ou ignorá-lo e apenas viver o dia-a-dia."

E voltou pra casa, mais vivo em seus pensamentos.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sobre celebrar a amizade

Vamos celebrar a amizade. Celebrar o riso solto, sincero, na certeza de que podemos ser nós mesmos e nada mais, sem medos ou receios de quem nos julgará.

Vamos celebrar o sol, o vento, o frio e a chuva. Celebrar o clima que vier, pois não importa como está o tempo, mas quanto tempo nós èstamos juntos.

Vamos celebrar o mar e a praia e desejar que as ondas tragam mais dias como esses, e levem nossa alegria para quem precisar, quem quer que sejam e onde quer que estejam.

Vamos celebrar a música, as vozes roucas. Celebrar os abraços e beijos e a vida que pulsa mais forte quando temos à nossa volta aqueles que queremos bem.